Os ingleses do The 1975 são um verdadeiro fenômeno no cenário pop rock e indie atual. Os amigos de Manchester (cidade berço de bandas como Bee Gees, The Smiths, New Order, The Verve, Oasis, New Fast Automatic Daffoldils e tantas outras bandas boladíssimas que eu poderia listar até amanhã) estão sendo celebrados mundo afora com prêmios e mencionados na crítica especializada.

Ano passado a banda formada por Matty Healy (vocal e guitarra), Adam Hann (guitarra), George Daniel (vocal e bateria) e Ross MacDonald (baixista) saiu em diversas listas de melhores do ano depois do lançamento do terceiro álbum A Brief Inquiry into Online Relationships. Mas como esse espaço foi conquistado ao longo dos anos?

Vou tentar fazer um resumão pra vocês, pegando também alguns bons argumentos pra não perder esse show que o Queremos! tá trazendo pro Circo Voador logo logo, ali na próxima quinta, 4 de abril.

De Jack Kerouac à BBC Radio 1

Depois de enrolarem pra caramba pra definir o nome da banda (eles passaram por Talkhouse, Bigsleep, Drive Like I Do e algumas outras opções), eles finalmente acertaram em The 1975 por causa de uma anotação encontrada num livro de poesias do Jack Kerouac, um dos maiores nomes da Geração Beat, importante movimento literário norte-americano.

Depois de 10 anos de pequenas movimentações, lançaram o primeiro EP Facedown em 2012, que repercutiu na BBC Radio 1, importante rádio inglesa. No final do ano lançaram o EP Sex, que ganhou a graça do DJ Zane Low, um dos mais influentes apresentadores da mesma BBC Radio 1 e referência europeia quando o assunto é lançamentos musicais. A partir daí vieram turnê pela Europa e pelos EUA, espalhando a palavra do The 1975 por novos continentes.

Abrindo para monstros e preparando o terreno pra estreia

Os meninos espalharam o nome da banda por dois meios.

Primeiro, foram convocados para abrir os shows de várias bandas de grande peso: abriram show do Muse, acompanharam o The Neighborhood pela tour nos EUA e estiveram até com o Rolling Stones, tudo em 2013.

Enquanto isso, lançaram os EPs Music For Cars e IV, que prepararam o terreno pro lançamento do álbum de estreia em setembro de 2013. O álbum foi produzido por Mike Crossley, que já havia trabalhado nos dois primeiros álbuns do Arctic Monkeys, com o FOALS e The Enemy.

Conceitos, álbum de estreia e grandes festivais

Em 2014, a banda lançou o The 1975, primeiro álbum. Estouraram ainda mais no Reino Unido e ganharam notoriedade nos EUA com certa facilidade, alcançando a posição 28 nos 200+ da Billboard. Curiosidade: álbum foi pensado pela banda como se pudesse encaixar as músicas na trilha sonora de um filme de John Hughes, um dos diretores hollywoodianos mais icônicos dos anos 80 (Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado, A Garota Rosa-Shocking e por aí vai…).

Todo o marketing em cima do lançamento foi em preto e branco: a arte, os ensaios fotográficos, os videoclipes (como você pode ver na ótima “Chocolate”, logo abaixo)… um conceito bacana que ajudou a atrair olhares pros caras. Participaram do Coachella, do iTunes Festival e até fizeram show no Royal Albert Hall, uma das mais importantes casas de shows do Reino Unido.

Há mais de um caminho pra cima (e pra baixo)

Depois do lançamento do álbum de estreia, os caras ficaram TRÊS ANOS fazendo tour diretão, sem parar. O cansaço bateu forte, problemas psicológicos vieram… em 2014, Healy desabou em palco: o cara chorou e gritou para uma fã que ela não tinha o direito de amá-lo. Ele justificou depois dizendo que estava tendo problemas pessoas envolvendo mulheres, muitas drogas, ressacas, a fama e lidar com tudo isso ao mesmo tempo foi meio tenso.

Em junho de 2015, as redes sociais da banda sumiram e surgiram as especulações de que a banda tinha terminado. Logo depois as contas voltaram e com posts não mais em preto e branco, mas agora em branco e rosa. I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful yet So Unaware of It, o Segundo álbum da banda, veio quase 8 meses depois e trouxe hits como “Love Me”, “UGH!” e “Somebody Else”. O álbum chegou ao primeiro lugar da Billboard, foi o melhor álbum pop de 2016 pra Rolling Stones e o melhor álbum do ano pra NME, além de terem aparecido em diversas outras listas de final de ano.

Música para carros

Durante o último show da turnê do segundo álbum, em 2017, novamente um reboot nas redes sociais e novo marketing conceitual sendo vistos nas ruas de Londres e Manchester. Daí começava uma “nova era”, ou seja, uma nova fase musical para a banda, que eles denominaram Music for Cars, que já era nome de um EP lançado em 2013 por eles. Tudo indicava que esse seria o nome do terceiro disco da banda, mas em novembro do ano passado o disco veio com o nome Brief Inquiry Into Online Relationships.

Healy alega que esse é o “momento Gorillaz” do 1975. A mudança no som foi sentida pelos fãs, criando grupos que curtiram e outros que não foram tão receptivos, mas a crítica curtiu bastante, chegando ao ponto da NME dizer que o álbum é uma “versão millenial do OK Computer”, um dos álbuns mais aclamados do Radiohead. Publicações como The New York Times e Pitchfork destacaram a faixa “Love If We Made It” como a melhor música do ano. Um cenário que anima muito pro lançamento do segundo e último álbum da era Music for Cars, o  Notes on a Conditional Form, previsto pra sair em algum lugar de maio.

Será que rola palhinha de música nova no show do Circo?

Só indo lá pra ver ;)