O nome Kamasi Washington certamente já passou pela tela do seu celular em algum momento. Não apenas por causa do show que os nossos parceiros do Queremos! tão trazendo pro Circo Voador no próximo dia 23, mas também porque o cara tem sido considerado a lenda viva do jazz, o novo representante do que há de melhor e mais vibrante nesse gênero musical

Quer dizer… muitos críticos o apontam como isso, dizendo que ele meio que “ressuscitou” o jazz. Daí eu fiquei me perguntando “será que o jazz realmente tava em decadência?” e “será que ele tá mesmo sozinho no rolé?”. Fui em busca de respostas e aqui eu tô trazendo algumas delas pra vocês. Fecha os olhinhos e vem comigo.

Esbjörn Svensson Trio

O trio sueco composto pelo pianista Esbjörn Svensson, pelo baixista/violoncelista Dan Berglund e pelo baterista Magnum Öström teve uma carreira agitada em seus 15 anos de atividade. Foram 10 álbuns lançados + 5 álbuns ao vivo. São um estilo diferente do de Kamasi: melodias menos festivas, menos espaço para improvisos e um som que mais parece que você terminou uma social em casa e agora só quer dar uma relaxada aproveitando o que sobrou do vinho. Infelizmente o Esbjorn morreu em 2008 enquanto mergulhava, deixando banda, esposa e dois filhos. Dan e Magnum estão desde 2013 apresentando as músicas do E.S.T. ao vivo ao lado do músico Hans Ek.

ÁLBUNS QUE VOCÊ PRECISA OUVIR: Seven Days of Falling (2003), Viaticum (2005) e Tuesday Wonderland (2006).

Nubya Garcia

Nascida e criada em Londres, mas com ascendência caribenha, a saxofonista Nubya Garcia vem consolidando seu nome no cenário musical do jazz a cada novo trabalho. Em 2017 ela lançou o Nubya’s Five, EP com 5 músicas de tirar o fôlego de qualquer amante do jazz; em 2018 ela nos trouxe outras duas músicas no EP When We Are.  Pra além de sua excelente banda (todos os integrantes são negros, inclusive), Nubya é bem relacionada: como parceiros criativos tem o premiado baterista Moses Boyd e o produtor Congo Natty.

MÚSICAS QUE VOCÊ PRECISA OUVIR: Lost Kingdoms, Fly Free e Contemplation

Sons of Kemet

Liderados pelo compositor, clarinetista e saxofonista Shabaka Hutchings, o Sons of Kemet é uma superbanda de jazz que que faz até teu íntimo mais adormecido e preguiçoso dançar. Além de Shabaka, a banda ainda tem Oren Marshall no oboé, Seb Rochford na percussão e Tom Skinner na bateria. O barulho é GRANDE, o som é PESADO. É tudo muito bem preenchido, nunca falta nada. Shabaka é nascido e criado em Barbados e é um músico extremamente curioso. Isso significa dizer que há fortes influências dos sons caribenhos (reggae, dub, calipso) e do que mais ele encontrou na sua busca por sons produzidos por músicos negros no continente africano – e isso tudo influencia no som do SoK. Destaco aqui o último trabalho dos caras, o “Your Queen Is a Reptile”, que traz dez músicas dedicadas a dez diferentes mulheres negras importantes seja para o Movimento Negro no mundo, seja para a banda.

MÚSICAS QUE VOCÊ PRECISA OUVIR: My Queen Is Ada Eastman, My Queen is Ana Julia Cooper, My Queen Is Albertina Susulu

Robert Glasper Experiment

Robert Glasper é um pianista boladíssimo que volta e meia se junta com uma galera maneira pra fazer uns sons fodas. Aqui ele colou com o baixista Derrick Hodge, o baterista Chris Dave e o saxofonista Casey Benjamin pra misturar jazz com hip-hop, neo-soul e funk. Já saíram dois álbuns: o “Black Radio”, de 2012, e o “ArtScience”, de 2016. Te indico ouvir o primeiro, onde ele fez uma seleção brabíssima de cantoras e cantores pro vocal de seus arranjos, incluindo Erykah Badu, Lupe Fiasco e Yasiin Bey. O álbum ainda fecha com uma versão adaptada de Smells Like Teen Spirit que é uma delícia.

MÚSICAS QUE VOCÊ PRECISA OUVIR: Afro Blue (part. Erykah Badu), Always Shine (part. Bilal, Lupe Fiasco), Why Do We Try (part. Stokley)

Muriel Grossman

Eu descobri a franco-austríaca Muriel Grossman quando tava finalizando o texto, aos 49 do segundo tempo. Isso significa que eu não consegui ouvir seus oito álbuns lançados desde 2008. Mas bastaram poucos segundos escutando o “Golden Rule”, lançado em dezembro do ano passado, pra sacar que eu não poderia deixá-la de fora dessa lista. Ela consegue passar com perfeição a ideia de que o jazz é uma viagem espiritual. Obviamente a banda ajuda muito nisso – curioso que é uma das poucas bandas com mais de uma instrumentista mulher, porque além da Muriel como saxofonista temos também a Gina Schwatz no baixo. “Golden Rule” é um álbum que se eu tivesse escutado antes certamente teria entrado na listinha de melhores álbuns de 2018, então já fica a dica agora.

MÚSICAS QUE VOCÊ PRECISA OUVIR: Golden Rule, Core, Light

O lance é que: o show do Kamasi promete ser uma baita de uma experiência catártica em pleno solo carioca. Não é o tipo de coisa que se perde assim, de bobeira. Se eu fosse você eu bem ficava ligado nas redes socias do nosso Blog, porque dizem os saxofones que a gente pode te ajudar. ;)