O norueguês Erlend Øye está voltando para o Circo Voador dia 13 e traz a banda La Comitiva para a festa. O lance é que existe uma razoável chance de você não ter escutado o nome dele ou pelo menos não associar de onde ele é… e é aqui que entro com esse post.

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O Erlend ficou conhecido por fazer parte da dupla Kings Of Convenience, com quem performava ao lado de seu amigo Eirik Glambek Bøe (não gaste muito tempo tentando pronunciar os nomes da maneira correta, tá tudo bem). Eles lançaram três álbuns que conquistaram crítica e uma legião de fãs super fiéis ao redor do mundo – inclusive este que vos fala. Além disso, lançou alguns álbuns sob seu nome e outros com terceiro projeto paralelo chamado The Whitest Boy Alive. E é desses projetos que eu vou falar aqui rapidinho com vocês pra todo mundo já ir entrando no clima pra noite de quinta que vem.

Kings of Convenience

Renegade

Go easy on me / I can’t help what I’m doing” é o refrão da sinceridade dessa que é uma das melhores e mais queridas músicas da dupla. Ela embala o terceiro disco da dupla, chamado “Declaration of Dependence”. A linha tênue o cuidado com o outro e amor próprio, o coração partido e os violões precisamente melódicos (como em absolutamente todas as outras canções da dupla) conduzem o ouvinte para lugares calmos e melancólicos. É de uma beleza só.

I’d Rather Dance With You

Eu não poderia deixar essa música de fora e eu apresento os motivos: é a música mais tocada no perfil do Last.FM dos caras, é a segunda mais popular do Spotify, uma das que a galera mais pira na hora do show, a que tem uma das letras mais sinceras possíveis e que embala um fantástico clipe que deixa aquele sorrisinho maroto no final. A sinceridade da letra reside no quanto o eu-lírico se mostra transparente frente à pretendente: “Even if I could hear what you said / I doubt my reply would be interesting for you to hear / Because I haven’t read a single book all year / And the only film I saw / I didn’t like it at all”. Dito isso, como resistir a simplesmente dançar? Tá lá no “Riot on a Empty Street”, segundo álbum da dupla, lançado em 2004.

Parallel Lines

Nas duas últimas vezes que rolou show aqui no Rio, eles colaram lá na praia de Copacabana pra tocar um sonzinho, bater uma bola [hiper mega desengonçadamente] com a galera… enfim, ter um momento diferente com os fãs debaixo do sol do País Tropical. E na última vez, no show de 2011, eles disseram que a música que eles mais gostam de tocar é Parallel Lines, que figura no álbum de lançamento da dupla – “Quiet is The New Loud”, de 2001. Curiosamente eles não a tocaram no palco, na noite anterior, mas deram uma palinha lá na praia. E é uma música linda, de fato – a minha preferida: “in my imagination you are cast in gold” é só um dos versos que encantam essa beleza de música e de álbum, maravilhoso de início ao fim.

I Don’t Know What I Can Save You From

Anos se passam e aí de repente tu tá ali de frente pra um fantasma que você mal consegue reconhecer. Existe boa vontade, respeito, mas não existe mais reconhecimento nem da outra pessoa e nem de si mesmo. As coisas mudam, as pessoas mudam e o ritmo natural da vida deve ser respeitado – amadurecer é preciso. I Don’t Know What I Can Save You From fala de desse tipo de desencontro da vida. Nem tudo é pra ser. Algumas coisas são e depois não são mais. E tá tudo bem, violino chorando e tudo.

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Falando agora do The Whitest Boy Alive: projeto mais eletrônico, um pouco menos acústico e super elogiado do grandão norueguês. Traz coisas inesperadas e super agradáveis como:

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Do nada, no meio do álbum “Rules”, vem aquela melodia de Harder, Better, Faster, Stronger e você fica “uéé”. O que separa uma coisa da outra é a vibe mais acústica e quase visionária [o álbum é de 2009] da fusão entre o pop e a música eletrônica que quase vemos em bandas como Real Estate, Beach Fossils e outras. “Freedom is a possibility only if you’re able to say no” é só uma das mensagens passadas nesse musicão da porra. Sente a batida:

Promise Less Or Do More

Uma das frases que eu mais gosto de refletir sobre é “luck is a gift / but rarely a random thing”. Filosoficamente falando, essa frase dá muito pano pra muita manga. E se a sorte for só pra quem merece, pra quem faz por onde? E aqui nem tô falando de papo torto de meritocracia, não. Tenho horror a isso. Digo isso cosmologicamente mesmo. É meio que um “brother, tu tem que arranjar um jeito de encontrar com a sorte, porque ela não vai te achar fácil assim”. E bem, filosofia à parte, essa música continua sendo o bicho. Ela também está no “Rules”.

Figures

A faixa-lamento Figures é uma coisa de doido. O guitarra arranha não só o som, mas também teu corpo até não dar mais. Some a isso frases como “‘What did I give you?’ / That’s harder to answer than what did I take / What did I mean to you?” – que porrada, né não? Tá no álbum “Dreams”, lançado em 2006. Essa é bem pra sentir, mesmo. Vai na fé e colá no álbum “Dreams”, de 2006.

Golden Cage

Uma das queridinhas da galera e que também tá no “Dreams”. Na real, uma das músicas mais de bad que tem é essa, por mais que nem pareça muito. O riff charmoso engana: você tá dançando e de repente a letra vem e “so of course I miss you and I miss you bad / but I also felt this way when I was still with you”. Se esse trecho não traz dor [de tanta verdade que pode conter dentro de si] eu sinceramente não sei o que poderia trazer.

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Em seu projeto mais pessoal, Erlend traz mais elementos eletrônicos: de baterias pré-programadas a MPC e em meio a alguns sintetizadores bem suaves, o som é bem diferente do que foi apresentado acima, mas tbm não deixa de ser interessante e envolvente.

Every Party Has a Winner and a Loser

Vestindo a camisa dos tímidos observadores introspectivos, Øye brinca com os tipos de pessoas numa festa, quem ganha, quem sai no preju e quem simplesmente tende a dar uma leve surtada. A batida simples da música chega a ser tão contemplativa quanto quem a narra. Ela tá ali no meio do “Unrest”, primeiro álbum, lançado em 2003.

Sheltered Life

A faixa flerta um pouco com a disco music, não se afasta tanto da sonoridade marcadinha característica dos projetos do Erlend e ainda assim parece visionária, visto o rumo para qual o pop e a música eletrônica convergiram posteriormente.

Garota

Bem menos eletrônico que seu predecessor, o álbum “Legao” (que mais parece uma extensão de algum álbum do Whitest Boy Alive) teve Garota como primeiro single. E tal como “legao” é referência à palavra “legal”, “garota” segue a ideia óbvia (mais uma evidência da influência do Brasil na obra de Erlend) e a música se torna uma grande declaração de fé num futuro relacionamento. E o clipe bacaninha, gravado em Seoul com uma artista local amiga sua, ajuda bastante na ambientação.

Termino o post com uma provinha do que vai rolar quinta: Erlend & La Comitiva tocando Intentions, um clássico do Whitest Boy Alive. Tipo, só pra ficar na vontade mesmo – e comprar logo o ingresso pra esse show mais que imperdível: