Hoje eu vou falar sobre a minha paixão mais recente: a Oui Studio. A alfaiataria se tornou minha nova paixão e agora eu basicamente só uso calças de alfaiataria e terninhos. Nesse post eu vou falar sobre todos os vários motivos que me levaram a crer que a alfaiataria, e a Oui Studio por consequência, definitivamente deveriam ser a marca da mulher moderna.

Primeiro, vamos começar com um pouco de contextualização. A alfaiataria é uma arte que surgiu mais ou menos no final da idade média e tomou maiores proporções a partir do Renascimento, quando surgiu uma preocupação um pouco maior em mostrar as formas do corpo. Com essa preocupação, a necessidade de um profissional que possuísse um conhecimento mais específico tanto da parte anatômica quanto da parte têxtil, e foi aí que o alfaiate passou a ganhar um papel de maior destaque nas sociedades ocidentais. É importante lembrar que se vestir bem sempre foi um luxo das classes mais abastadas e o privilégio de ter suas roupas confeccionadas por um alfaiate profissional era para poucos.

Com a ascensão de Luís XIV ao trono, a França se tornou o centro da moda ocidental e exportava tendências para as demais regiões da Europa… menos a Inglaterra, que por questões de divergências políticas rejeitava as tendências francesas. Mais um tempo passa e com a Revolução Industrial veio também uma “revolução” na moda dos boêmios londrinos, que passaram a adotar cortes de cabelo curtos e tons sóbrios de lãs, bem diferente das tendências extravagantes da elite francesa.

Esses boêmios e intelectuais londrinos ficaram conhecidos como os dândis, homens que não necessariamente pertenciam à nobreza, mas que eram conhecidos pelo bom gosto estético, intelectualismo e elegância. O melhor amigo de um dândi era o seu alfaiate. Esse foi o ponto de partida pra que Londres se tornasse referência mundial em alfaiataria.

Agora, outro ponto interessante pra se ter em mente é que, até então, os conjuntos de ternos ainda eram de uso exclusivo dos homens, uma vez que as mulheres ainda não podiam usar calças. As mulheres eram proibidas de usar calças por normas sociais e por leis também, mas existem vários casos de mulheres que usaram calças para desafiar essas normas e numa tentativa de se libertar das amarras de gênero, como a abolicionista e cirurgiã americana Mary Walker.

A doutora Walker desprezava o guarda-roupa tradicional feminino e adotou um visual tradicionalmente masculino e escreveu em 1871 que as roupas femininas deveriam “proteger a pessoa e permitir a liberdade de movimentação e circulação, e não tornar quem a veste uma escrava”. Mary Walker foi presa diversas vezes por usar roupas consideradas inapropriadas.

O século XX trouxe um pouco mais de abertura e liberdade para o vestuário feminino. Quando atividades tipo tênis, ciclismo e e equitação se tornaram mais populares, as mulheres começaram a optar por calças, que eram peças que ofereciam maior conforto e mobilidade. Nessa época, algumas leis foram feitas para permitir o uso de calças para mulheres durante essas atividades.

O uso foi se popularizando cada vez mais e a partir dos anos 20 as calças foram adotadas também pelas mulheres da classe trabalhadora, como pilotas e operárias. Apesar do uso das calças ter se popularizado a partir dessa época, em alguns lugares do mundo mulheres continuavam sendo presas por violar códigos de vestimenta.

Em 1933 Eleanor Roosevelt foi a primeira Primeira Dama a aparecer num evento formal usando calças e em 1939 a Vogue lançou sua primeira edição com mulheres usando calças. Com a Segunda Guerra Mundial, o uso de calças pelas mulheres cresceu, pois elas se tornaram uma grande força operária enquanto os homens estavam no fronte, e muitas dessas mulheres inclusive usavam as roupas dos próprios maridos para trabalhar. A partir disso o uso de calças por mulheres foi cada vez mais desmistificado.

Hoje no nosso país vivemos uma realidade completamente diferente, apesar de ainda existir uma divisão baseada em gênero de roupas e sapatos, o uso da calça é absolutamente comum para as mulheres e já não é mais um tabu há muito tempo.

O problema, no entanto, é o fato de que muitas roupas femininas ainda são voltadas para a sexualização dos corpos femininos: decotes grandes, roupas cavadas e justas, e diversas outras modelagens focadas na acentuação do corpo feminino que não costumam ser utilizadas em roupas masculinas. Enquanto isso, o terno e as demais peças de alfaiataria ainda são consideradas roupas do mundo masculino, pouco femininas a não ser que levem consigo um baita decote ou uma modelagem acinturada.

E é por isso, por esse bloqueio ainda existente mesmo que não tão visível, é que eu acho que as peças de alfaiataria, mais especificamente o terno, deveriam ser adotadas como a marca da mulher moderna. A mulher que hoje ocupa o mercado de trabalho, que cada vez mais conquista seu espaço num mundo tradicionalmente masculino, e que finalmente tem o direito de escolher o que quer vestir.

Embarcando nessa onda da alfaiataria e dos ternos femininos, eis que surge então uma marca pronta pra revolucionar o nosso guarda-roupa: a Oui Studio, baseada em Vitória/ES. Vou confessar que minha inspiração pra escrever esse post foi exatamente os terninhos lindos que a Oui mandou pro Blog Cariocando. Acho que eu nem preciso dizer que as peças da Oui acabaram facilmente se tornando as peças favoritas do meu guarda-roupas inteirinho e esse terninho já tá quase andando sozinho!

O terno que a Oui mandou pra gente é absolutamente maravilhoso, composto por um blazer e uma calça granny style, de corte bem reto e cores bem sóbrias. O que eu mais gostei nesse terno foi a modelagem, exatamente porque ela quebra completamente com esse costume de modelagens mais definidas e acinturadas para peças femininas. Eu honestamente acho que esse terno reflete perfeitamente a alma da mulher do século XXI.

Obrigada, Oui Studio, por realizar meu sonho de ter um terninho maravilhoso <3