Acabou que o Rio de Janeiro esfriou mesmo, né? Quem diria. Galera do frio tá toda boba, comemorando pra caramba fazendo vários nadas debaixo das cobertas. Tá diferente.

Então antes que isso acaba e voltemos à programação normal dessa cidade, vou te apresentar rapidinho uns álbuns pra você ouvir no finzinho de noite enquanto toma aquele vinho que tava na promoção no mercado e entrar na vibe certa.  Já pegou o edredom? Então segura!

1) Bon Iver – For Emma, Forever Ago (2007)

Não vou negar: é um dos álbuns mais bonitos que já ouvi na vida. Tipo, genuinamente bonito, indo das letras às melodias e a tudo de diferente que o Justin Vernom resolveu botar no disco. Ele é bem cru, denso e liricamente complexo. Na verdade, ele foi concebido logo após o fim da banda anterior de Justin (DeYarmond Edison), quando o cara resolveu se trancar numa cabaninha no meio do nada por três meses, com alguns microfones e instrumentos – enquanto sofria de mononucleose. Pesadão, mas nos rendeu essa bela obra e rendeu a ele algumas aparições em listas de melhores do ano em 2007. É sério, não se pode deixar passar esse som, é um folkzinho peculiar e maravilhoso.

Músicas destaques: Skinny Love, The Wolves (Act I and II), re:Stacks

2) Tok Tok Tok – She and He (2008)

A frase “I never felt like this before”, na voz da germane-nigeriana Tokunbo Akinro, vai ficar ecoando pela sua cabeça por um tempo e da melhor maneira possível. A banda traz um som soul modernoso cheio de graça e leveza, que mais parece um carinho, até mesmo quando acelera o ritmo. Já são 12 álbuns lançados desde 1998 e eu indico esse porque foi o primeiro que descobri (e o único que ouço com certa frequência).

Músicas destaques: As We Are, Coração, She and He

3) Stan Getz & João Gilberto – Getz/Gilberto (1964)

Um dos álbuns mais bacanudos de que se tem ideia é essa obra-prima nascida da parceria entre o compositor e violonista João Gilberto e o saxofonista americano Stan Getz. São quarenta minutos que automaticamente te transportam para um café qualquer em Ipanema enquanto conversa com uma moça chamada Helena. Além da companhia de Helena e dos dois, tu ganha ainda Tom Jobim no piano e a voz maravilhosa de Astrud Gilberto (de quem já comentei por aqui antes). É considerado o disco que popularizou a bossa-nova no mundo – principalmente através da música “Garota de Ipanema”, que ganhou até Grammy de Melhor Gravação naquele ano. Eu vou para de falar e deixar isso aqui pra vocês:

Músicas destaque: Corcovado, Garota de Ipanema, Desafinado

4) Seu Jorge – Trilha sonora do filme “A Vida Marinha de Steve Zissou”(2004)

Se você fica ouvindo música pelo Youtube, você provavelmente já esbarrou com esse disco em algum momento. Se você gosta da filmografia do Wes Anderson, você com certeza buscou as músicas depois que viu o filme “A Vida Marinha de Steve Zissou”. E se não conhecia ainda, tô trazendo aqui pra você essa coisa improvável que é Seu Jorge adaptando e cantando músicas do David Bowie. Não, não, você não ouviu errado, é exatamente isso: a missão do nosso carioca foi pegar algumas músicas clássicas do Camaleão do Rock, reescrevê-las, pegar o violão e bater aquele papo bacana com ele. E o resultado é um negócio de louco.

Músicas destaques: Rebel Rebel, Life on Mars, Oh! You Pretty Things

5) Gemma Hayes – The Roads Don’t Love You (2005)

Cada álbum da Gemma é um motivo a mais para amá-la. Sua voz nunca decepciona e suas composições que fazem pop, rock e folk serem melhores amigos tornam a irlandesa nessa artista incrível. “The Roads Don’t Love You” é um passo importante na carreira da moça, pois ela o lança logo após se mudar de Dublin, capital irlandesa, para Los Angeles, o que influenciou na sonoridade de suas músicas – a parte pop e rock que falei ali em cima. O álbum ficou entre os 15 mais vendidos da Irlanda e entre os 100 mais do Reino Unido naquele ano. E eu a trago aqui pra você da melhor maneira:

Músicas destaque: Easy on The Eye, Nothing Can, Horses

6) Seoul – I Become a Shade (2015)

Esse foi o único álbum lançado pelos canadenses do Seoul. Não impressionaram críticos, não ganharam muito espaço entre o público, mas deixou uma marca nesse carioca que vos fala. O álbum é uma mostra interessante do que é o dream pop, que é como se o pop e a música eletrônica estivesse batendo um papo super filosófico e transcedental, deixando o ambiente propício encostar a cabeça no sofá e dar aquela refletida na vida.

Músicas destaques: Haunt / A Light, Stay With Us, I Negate