Sexta-feira dessas passei dando conselhos a uma amiga minha (me acho particularmente boa nisso). Ela e o carinha terminaram, foi bem sofrido. Eu a senti carregando uma culpa, uma responsabilidade por aquele término que, pra mim, nunca lhe pertenceu. Eu falei foi muito, viu!? O quanto ela era incrível. O tudo que ela não fez de errado. O que a vida às vezes leva a gente a fazer. O que às vezes o cara convence a gente de que aconteceu. Partilhei sabedoria, memórias, falei de um tudo, arrasei.

No sábado seguinte outra mana mandou mensagem, o fulaninho tava dando trabalho. Falei mais um tanto. Que não se permitir viver certas maldades é um ato de auto amor, que se algum carinha não fazia ela se sentir querida, qual o sentido dele existir na vida dela, afinal?  Ela é foda pra caralho e se ele fazia ela duvidar, ele não deveria ser o ELE em questão. Discursei, caguei regra, arrasei.

No domingo seguinte, em casa, sem ninguém vendo, mandei mensagem pro carinha que nunca me tratou super bem ou me fez sentir segura do lado dele, mas que responde as mensagens e está sempre meio disponível. Eu não mereço tanto quanto desejo pras minhas amigas? Claro que mereço. Eu não sei que ele não presta pra mim? Estou ciente e pretendo continuar com a palhaçada. Por que?

Por que é tão difícil aplicar toda a sabedoria que a gente partilha com as amigas queridas numa mesa de bar? Por que a gente sabe que tá fazendo merda e continua, mas critica aqueles que o fazem?

“É muito mais fácil falar do que fazer”, nenhuma novidade ai né? Analisar uma cena, uma relação, de fora, quando só tem racionalidade envolvida. Quando não é com a gente, as coisas parecem tão certas, transparentes, mas basta colocar um pingo de sentimento que seja pra cena mudar de cor, tomar uma forma opaca, e todas as certezas que a gente tinha desaparecem no meio do amor, da raiva, do medo, da angústia.

E por mais que todas as amigas já tenham nos aconselhado da melhor forma, às vezes a gente tem que quebrar a cara. Porque é quanto a gente se conserta que surgem bons aprendizados, conselhos, sabedorias e até cuidados. Todos as vezes que me partiram o coração eu aprendi. De tudo! Desde “não se apaixone por DJs, num geral” ou “você não pode estar com alguém que te faz sentir insuficiente”. E é o que dizem, a pessoa que somos é uma soma dos encontros que tivemos, né não?

Quer dizer que a gente tem que parar de aconselhar as migas tudo? Parar de cagar regra? Eu me recuso. Perder a delícia que é compartilhar as experiencias, boas ou ruins, na esperança de talvez conseguir tocar aquela amiga, lá dentro. Tentar ao máximo poupa-la de sentir a dor que você já experimentou um dia eu vou fazer sempre, é meu papel como amiga. E segue o baile, uma hora elas aprendem, e eu também.

Até lá, que nunca nos falte conselhos e acolhimento. Os não amores nos desmontam um pouco, como diria uma querida minha, mas as amigas montam a gente de volta.