No início desse mês a Vogue revelou os detalhes sobre sua edição de setembro desse ano, estrelando ninguém mais ninguém menos que a queridinha das massas, Beyoncé! Eu lembro perfeitamente de abrir meu instagram no dia da divulgação das fotos e ver meu feed completamente floodado com as fotos do ensaio feito especialmente para a Edição de Setembro da Vogue Estados Unidos.

Além das fotos serem absolutamente incríveis, com uma aura artística de tirar o fôlego, essa Edição de Setembro vem carregando um significado muito maior do que apenas mais uma edição especial da maior revista de moda do mundo. A Edição de Setembro da Vogue 2018 chega rompendo algumas barreiras que sempre estiveram erguidas nas estradas da moda, arte e fotografia para muitas pessoas e eu vou explicar porquê.

Primeiramente, vamos reiterar aqui que o foco da Edição de Setembro desse ano vai para a rainha Beyoncé, ícone fashion, musical e símbolo da cultura pop, que teve total liberdade para escolher o fotógrafo e a abordagem dessa edição (algo sem precedentes em uma Edição de Setembro). Ela escolheu, então, falar sobre assuntos muito íntimos e pertinentes para muitas mulheres, como o processo da sua última gravidez, sua opinião sobre auto-aceitação, a influência da sua ancestralidade e o legado que ela espera deixar para seus filhos.

Em segundo lugar, vale ressaltar que essa é a primeira capa da Vogue fotografada por um fotógrafo negro. Bizarro, né? Estamos em pleno 2018, mas essa Edição de Setembro é um marco histórico para artistas negros que sempre encontraram dificuldades e empecilhos na construção de suas carreiras. O nome do fotógrafo é Tyler Mitchell e ele tem apenas 23 anos. Tyler foi escolhido pessoalmente por Beyoncé para fotografar essa edição, onde foram usadas peças da Louis Vuitton, Valentino e Gucci.

Nas palavras da rainha, ela escolheu trabalhar com o jovem Tyler Mitchell pois “até existir um mosaico de perspectivas vindo de diferentes etnias por trás das lentes, nós vamos continuar tendo uma abordagem e visão limitadas do que o mundo realmente é”.

 

Tudo bem, como se já não fosse incrível o suficiente a Bey ter liberdade absoluta pra desenvolver essa Edição de Setembro e ter escolhido o jovem Tyler Mitchell para trazer um novo olhar para a revista, ela também abordou questões extremamente pertinentes no artigo que você pode ler completo aqui.

Nesse artigo, Beyoncé começa falando sobre sua última gravidez e as mudanças físicas que esse processo desencadeia no corpo de uma mulher. Ela comenta sobre estar de bem com seu corpo e sua barriga ainda flácida e diz que o apoio de seu marido Jay-Z foi fundamental nesse processo, e que ambos puderam evoluir juntos. Bey ressalta ainda a importância de homens e mulheres serem capazes de enxergar a beleza em seus corpos naturais. Foi por isso que ela escolheu fazer as fotos desse editorial com pouca maquiagem e sem nenhum tipo de aplique capilar.

 

Beyoncé fala ainda sobre como entender seu passado e sua ancestralidade a permitiu resolver os conflitos em sua vida e nos seus relacionamentos. Ela revela ter descoberto que é descendente de ambos um dono de escravos e uma escrava que se apaixonaram e se casaram, e que disse ainda que nos conectar com nosso passado e conhecer nossa própria história nos torna ambos machucados e belos.

O artigo segue com Beyoncé falando sobre sua jornada, sobre como se decepcionou em diversos campos, tanto profissional quanto pessoal, e sobre como hoje ela se sente muito mais poderosa e madura. Ainda sobre o seu legado, Bey afirma que, sendo mãe de duas meninas, ela espera que suas filhas possam se ver representadas em posições de poder que nunca foram atribuídas a mulheres negras ao longo da história. Sendo também mãe de um menino, Beyoncé reforça as noções de que pretende criar seu filho para que seja emocionalmente maduro, autêntico, empático, gentil e honesto.

Claro que tudo isso é apenas uma pequena fração do que você vai encontrar no artigo original, linkado ali em cima, e que vale cada segundinho de leitura. Beyoncé é um exemplo pra muitas pessoas que por muito tempo não tiveram a quem olhar para se espelhar. Comprometida com a autenticidade, o amor próprio e com a justiça social e racial, Beyoncé nos trouxe uma Edição de Setembro pra nunca mais esquecer.