Há poucos dias atrás faleceu a cantora norte-americana Aretha Franklin, a Rainha do Soul, uma das vozes mais importantes da música mundial e mais relevantes do movimento negro e feminista dos EUA. Ela se foi com 76 anos, sendo 64 deles envolvida com a música.

E ela era incansável! Em seus primeiros quinze anos de carreira lançou 19 álbuns – foram 4 só em 1967. Diminuiu o ritmo, mas foi só na década de 1990 que ela diminuiu a média para dois álbuns lançados. São muitos clássicos, prêmios honorários, histórias pra contar e muitos artistas influenciados pela sua voz, talento e tudo o que ela representava.

Aqui eu vou fazer uma seleção de algumas de suas canções mais famosas, mas cantadas por outros artistas. E tem uma galera de peso, como você vai notar. É só uma palinha do quão grande Aretha sempre será para a música internacional.

Lianna La Havas – Say a Littler Prayer for You

A londrina de 28 anos vem consolidando cada vez mais a sua carreira. Passou pelo Brasil recentemente acompanhando a tour internacional da banda Coldplay e vai aos poucos conquistando o coração de muitos. Lançou dois álbuns e por mais que em nenhum deles tenha esse clássico que se popularizou na voz de Aretha em 1968, dificilmente passa um show sem que ela a cante. Sente só:

Tina Turner – Respect

Outro grande clássico da gigante Aretha, na voz da também gigante Tina Turner. Tina empolgou o público com essa versão lançada em em 1971, somente quatro anos depois da regravação de Aretha. A versão original saiu em 1964 na voz de Ottis Reading, mas a de Aretha ganhou maior relevância pela total ressignificação de sua letra, que fala sobre o eu-lírico pedindo respeito quando chega em casa, levantando a ideia de que aquele relacionamento pode acabar a qualquer momento caso não haja respeito mútuo… o lance é justamente a inversão dos gêneros: quando o eu-lírico é Ottis, ele reforça o machismo nosso de cada dia; na voz de Aretha (e de tantas outras mulheres que regravaram a música, inclusive na de Tina, que teve um relacionamento extremamente abusivo com Ike Turner), a música se torna instrumento de empoderamento.

Mary J. Blige – (You Make me Feel Like) A Natural Woman

A música lançada por Aretha num single de 1967 foi regravada por outros grandes nomes como Rod Stewart, Céline Dion, Carole King e Gloria Estefan, mas essa versão da Mary J. Blige foi a que ganhou mais projeção. O cover foi feito especialmente pra série New York Undercover, que rodava pela FOX na época. A música tem um apelo mais romântico, mais entregue, falando sobre como a vida era confusa antes de conhecer alguém.

Natalie Cole – Daydreaming

Uma das músicas mais legais de Aretha ganhou regravação de Natalie Cole, filha do lendário Nat King Cole e dona de nove Grammys e de mais de 20 álbuns. Nos deixou em 2015, aos 55 anos, devido a complicações pós-transplante e a um quadro de hepatite C. Lá atrás, no início de sua carreira, carregar o sobrenome de seu pai lhe era um peso pois já se esperava que ela seguisse os passos dele no campo de jazz, enquanto ela queria seguir no espectro etnre R&B e rock, influenciada tanto pela Aretha quanto pela Janis Joplin. Aliás, suas primeiras músicas lembravam o público da voz de Aretha. Essa é uma versão mais moderninha do clássico lançado em 1973:

Gregory Potter – You Send Me

Outra música fantástica e animada de Aretha, agora numa versão bastante específica do jazzista Gregory Porter, apresentada num programa de rádio em 2016. Gregory é um dos maiores nomes do jazz atual. Tem cinco álbuns lançados e bem recebidos por crítica e público desde 2010. A música, na verdade, é de Sam Cooke e foi lançada em 1957, sendo regravada por Aretha onze anos depois no álbum “Aretha Now”.

Whitney Houston – Ain’t No Way

Fecho essa lista de lendas cantando uma lenda com talvez a maior da lista inteira. A cantora/atriz/modelo/empresária dona da porra toda que também nos deixou cedo demais. Ela tem Oscar, tem Grammy, doutorado em Humanidades e é a cantora negra mais bem sucedida da história da música. E aí pensemos: se ela influenciou tantos artistas que vieram depois dela e ela própria foi influenciada por Aretha, imagina o quanto de artistas que nossa Rainha do Soul não inspirou? Ain’t No Way é de 1968 e compõe o álbum “Lady Soul“.

 

Algumas pessoas nunca morrem. A memória sempre fica e o legado também é eterno. E com Aretha Franklin não vai ser diferente.