Uma das coisas que mais me encanta na música é o quanto ela é fluida e plural. Quando você começa a explorar os tantos gêneros musicais, você entra num labirinto que você não tem muita certeza se você quer sair. Por exemplo, quando você parte do rock, você pode chegar tanto no rock alternativo underground de Seattle quanto no doom metal escandinavo. São muitos os caminhos possíveis e isso é realmente maravilhoso.

Quando eu comecei a me interessar por esses caminhos, um dos gêneros que eu mais explorei foi a música eletrônica. É que ela vai muito além daquele famoso tuntz-tuntz e isso dá uma outra vibe pras músicas. É o caso do downtempo, subgênero que eu trago pra vocês aqui.

A ideia do downtempo é fazer exatamente o que o nome sugere: diminuir o tempo das músicas, o que faz com que elas fiquem menos frenéticas. Nisso, esse tempo mais espaçado pode ser preenchido de outras maneiras. Às vezes tem uma batida de hip hop, em outras uns solos, vocais… E ainda bem que tem uns artistas que sabem preencher bem esse tempo. Seguem alguns nomes:

Vondelpark

Três amigos ingleses resolveram se juntar num projeto que era um mergulho na própria melancolia. O som tem uma textura suave, leve, quase nostálgica. As músicas são verdadeiras viagens: tem todos os tons de céu que você possa imaginar, tem grama verdinha e lama; tem adolescentes descobrindo que o mundo é mais complexo e cheio de incertezas do que seus pais os prepararam. Eles lançaram alguns EPs (destaque para NYC Stuff and NYC Bags, de 2011, e Sauna, de 2010) e o belíssimo álbum Seabed, de 2013. Já postei uma deles aqui no Blog e aqui eu deixo mais outra:

Tycho

A banda americana Tycho tá na na batalha desde 2002, quando lançou o EP The Science of Patterns. Foi dando autenticidade ao som com melódicas e pontuais guitarras, um baixo que ecoa na garganta e paisagens tão hipnotizantes quanto as imagens das capas dos álbuns – seis, no total. Super indico ouvir Past is Prologue, de 2006, e o incrível Dive, de 2011. Fecha os olhos e vai. A onda vai bater e você vai sentir, essa é a garantia que eu te dou.

The Dinning Rooms

Há vinte anos atrás Cesare Malfatti e Stefano Ghittoni decidiram formar o projeto The Dinning Rooms. Sete álbuns (e vários EPs, e vários álbuns de remixes) depois, os italianos podem se orgulhar de uma discografia consistente e envolvente. Com diálogos com o jazz, ritmos do continente africano e até com a bossa nova, as músicas criam um curioso clima noir, cheio de mistério e inescapavelmente urbano. Deixo como sugestões os álbuns Numero Deux, de 2001, Tre, de 2003, e Experiments in Ambient Soul,  de 2005.

Catching Flies

O londrino Nathan Greenwood já nos deu dois EPs em que ele consegue consegue musicalizar a busca pelo inalcançável: The Stars, de 2012, que conta até com sampler do clássico “Yellow”, do Coldplay; e The Long Journey Home, de 2013, ainda mais completo e atraente que o primeiro. Dois pequenos passos para Nathan, mas que apontam um rumo forte para seu trabalho. Acho esse video muito legal porque ele é uma das paradas que definem o downtempo: não é só um maluco na pickup deixando o som rolar; tem toda uma preocupação com o timing, com os elementos da música, com a produção em si + os instrumentos que caem como uma luva na música:

Nick Murphy (a.k.a. Chet Faker)

Fecho a lista com um dos australianos mais badalados do momento. Antes de se assumir com seu nome real, Nick Murphy tocava como Chet Faker e bombou fortemente pelo mundo depois do lançamento de seu álbum Built on Glass, em 2014. “Talk is Cheap” ficou no topo das 100 Melhores Músicas da Triple J, importante veículo musical australiano. O trabalho como Chet ajudou a popularizar tanto o downtempo quanto uma maneira um pouco mais década de 2010 de fazer esse tipo de música, usando mais do vocal, das letras, um frontman com sintetizadores e tudo mais. Não é um álbum que mereça passar batido.

Sven van Hees

O belga traz um dos downtempos mais puros que tem. É a típica música de elevador, só que um pouco mais tunada. Uma parada quase que cíclica, mas com alguns detalhes que exploram algumas saídas alternativas bem interessantes em alguns momentos das músicas. Riffs de baixo, percussões terapêuticas, arranhões em guitarras, metais e outros instrumentos de sopro que fazem os olhos revirar com tamanho prazer que se sente ouvindo. Álbuns necessários: Gemini, de 1999, e Calypso, de 2002. Mas vou deixar vocês com essa música que além de ter um nome fantástico, pega bem no que o cara faz:

Curtiram a vibe? Conseguiram relaxar? Eu aposto que sim.