Nem só de Shakira vive a Copa do Mundo!

Quero começar esse post confessando que esta é uma das ideias mais ambiciosas que já tive na minha vida (e já tive algumas). Já tava desde o ano passado querendo indicar umas bandas de vários países, mas a Copa do Mundo me parece ser a oportunidade perfeita de fazer um baita mochilão intercontinental. Daí vou indicar algumas bandas de cada um dos 32 países participantes da competição e em alguns deles ainda vou dar um bônus de outros artistas interessantes. Vamo que vamo logo porque o batente vai ser longo – vou até ter que dividir a proposta em dois posts, se não fica pesado demais, né?

ALEMANHA – Micatone

Citei Micatone num dos últimos posts do Blog, sobre música eletrônica para além do “tuntz-tuntz”. É uma banda de nujazz super bacana, com cinco discos lançados pelo selo alemão Sonar Kollektiv. A banda é liderada pela cantora Lisa Bessange, que também tem uma carreira solo bem interessante. Estão no rolé desde 2001 e pouco mudaram a sonoridade, mas sem perder a qualidade musical. Super indico os álbuns Nomad Songs (2005), que ouso dizer que é um dos álbuns mais legais do gênero, e The Crack (2017).

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ARÁBIA SAUDITA – Sound of Rouby

Adianto aqui que países árabes são complicados, viu. Bem complicados.
Mas usei meus macetes e achei essa banda que vagueia pelos campos do folk, grunge e post-punk pra fazer um som até bastante ocidental. A parada naqueles cantos é tão doida que Sound of Ruby é supostamente a primeira banda de rock  e com certeza a única banda punk da Arábia Saudita… e ela surgiu em 1996. E a banda continua na atividade, mesmo que esse tipo de show esteja banida no país. O bagulho é doido demais, galera.

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ARGENTINA – Arco Iris

Considerada uma das bandas fundadoras do rock argentino, Arco Iris traz um rock progressivo misturado com sons folclóricos e místicos que é quase uma viagem espiritual. A banda tinha, inclusive, um guia espiritual chamada Danais Winnycka (ou simplesmente Dana), uma soviética erradicada na Argentina que introduziu os membros da banda no meio musical (e comunitário, vegetariano e místico), ainda no bairro suburbano de Buenos Aires chamado El Palomar. O fato de ter uma mulher como “maestra” (ela não era música) gerou alguns conflitos da Arco Iris com outras bandas do cenário musical argentino; Dana também estabelecia regras de vida comunitária da banda, como a proibição do sexo, drogas, álcool etc. Muito doido, né? São mais de 10 álbuns, inclusive. Indico Arco Iris (primeirão, de 1970), e Inty Raymi (1973).

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AUSTRÁLIAThe Temper Trap

Além de possuir animais que provam que a natureza às vezes pode ser incrivelmente assustadora (você já ouviu falar em raposa voadora?), a grande ilha também já rendeu algumas bandas super bacanas. Uma delas é essa Temper Trap, que faz parte a trilha sonora do filme “(500) Dias com ela”. A banda já lançou três álbuns desde que surgiu, em 2006, mas o primeiro, Conditions (2009) continua sendo uma amostra incrível de indie rock pós-anos 2000.

OUÇA TAMBÉM: Tame Impala, Pond, Wolfmother, Jet, Natalie Imbruglia, Hiatus Kaiyote

BÉLGICA – Selah Sue

A cantora e compositora Selah Sue tem 29 anos, dois álbuns lançados, tem influência de cantoras como Erykah Badu e Laurin Hill, já teve seu estilo vocal comparado ao de cantoras como Amy Winehouse, Adele e Janis Joplin… [pausa pra respirar] misturou hip hop, ska, reggae, hip hop e soul no seu primeiro álbum (Selah Sue, 2011) e partiu para um som mais comercial em seu segundo álbum (Reason, 2015), que tem participação até de Childish Gambino. Faz um baita sucesso em países como França, Holanda e Suíça. Lutou contra a depressão e participou de campanhas de conscientização sobre o assunto. UFA!

OUÇA TAMBÉM: Hooverphonic, Stromae, Absythe Minded

BRASIL – Pedras Pilotáveis

O groove swingado e porradeiro do power trio carioca enche o recinto, te faz dançar e balançar a cabeça ao mesmo tempo. Brinca com os tempos e viradas, canta os amargores da vida, flerta com o blues numa vibe bem Jimi Hendrix e faz barulho na cena musical underground carioca. A banda foi formada em Bangu, nos idos anos de 2012, brotou em várias rádios, foi uma das vencedoras do Festival Nova Música Brasileira e não para de fazer show por aí. Lançaram uma música nova nesse ano (“Incerto”), têm um EP disponível no Spotify (homônimo lançado em 2016, que até cover do Tim Maia tem) e os nossos ouvidos já coçam por algum groove novo.

OUÇA TAMBÉM: Bandavoou, O Terno, Carne Doce, Abacaxepa

COLÔMBIA – Elia y Elizabeth

Seguindo a linha artística da família (suas tias eram um duo pop e o avô era um tenor espanhol), as irmãs Elia e Elizabeth também formaram uma dupla e faziam um som gostosinho, bem tropicália psicodélico setentista, do jeito que brasileiro gosta. Elia foi a mais precoce das irmãs: com todo o apoio dos pais, ganhou um violão quando ainda muito nova e começou a fazer aulas… que terminaram cedo demais porque o pai vivia fazendo piadas com a risada do professor. Ainda assim, as aulas foram o suficiente pra menina começar a compôr, bastante inspirada em nomes como Beatles, Jimi Hendrix etc. Foram dois álbuns lançados em 1973 e deixo aqui a dica pra ouvir o “Elia y Elizabeth”, que tem músicas sensacionais como Soy una NubeFue una Lágrima.

OUÇA TAMBÉM: Meridian Brothers, La Mambanegra

COREIA DO SUL – Wetter

Eu não poderia fugir do K-Pop, né? E cá estou eu. Na verdade, eu pedi ajuda pra quem entende do assunto e me indicaram algumas bandas bacaninhas de verdade. A que eu mais gostei foi essa aqui, chamada Wetter. A banda que lançou seu primeiro single (que deixo registrada aqui embaixo) em 2006 puxa um som meio anos 1990, às vezes apaixonadinha, às vezes aquele tom rebelde, mas sempre com um som bem agradável. Foram poucas músicas lançadas até agora, apenas alguns singles, mas é o suficiente pra sentir a vibe bacana da banda.

OUÇA TAMBÉM: BTS, Tiny-G

COSTA RICA – Dylan Thomas.

Uma das melhores bandas que achei enquanto preparava esse post foi Dylan Thomas. (com ponto final, mesmo). O quarteto se fez como banda na noite de 20 de dezembro de 2015, quando a casa de shows/bar El Steinvorth, uma das mais importantes de San José, capital costa-riquenha, fechou as portas. O nome da banda homenageia um conto do escritor Charles Bukowski e o som traz um shoegaze/dream pop delirante e melódico e serve de porta de entrada pra conhecer uma cena musical que com certeza merece mais luzes: a do indie-rock costa-riquenho – as coletâneas da Random Collective Records podem ser uma boa porta.

OUÇA TAMBÉM: Las Robertas, vicepresidente, Javier Arce y Los de Allá

CROÁCIA – Jonathan

A banda croata formada por cinco amigos (nenhum deles se chama Jonathan) começou as atividades em 2003 já tem aí três discos lançados independentemente e alguns elogios nas internets. Eles são da cidade de Rjeka, terceira maior cidade do país. O som é algo muito similar a The Editors, Ought e Interpol e me fazem lembrar porque eu gosto tanto do rock alternativo flertando com o punk. Lançaram nesse ano um álbum sensacional chamado “To Hold”, mas aqui eu vou deixar Umbrella in the Sun, faixa que abre o primeiro disco deles, “Bliss”, lançado em 2014.

OUÇA TAMBÉM: ROLO, Vlasta Popić

DINAMARCA – The Raveonettes

Um dos maiores nomes da música dinamarquesa, a dupla de indie rock / shoegaze The Raveonettes se encontra num hiato, mas lançou o álbuns ao longo de 16 anos de atividade. As vozes de Sharin Foo e Sune Rose Wagner se misturam com guitarras distorcidas e melodias melancólicas para falar de temas pesados como traição, morte, amor e o que mais der na telha. Curioso que eles montaram a banda quase que na pressa quando souberam que David Fricke, então editor de música da Rolling Stone, iria a um festival próximo a eles. Calhou que David curtiu o som, falou bem deles na revista e a banda bombou – juro pra vocês que é isso que eu tento fazer aqui no Cariocando, galera!

OUÇA TAMBÉM: When Saints Go Machine, Cancer (de quem eu já falei aqui uma vez), Junior Senior, Agnes Obel

EGITO – Sadat; Alla Fifty Cent

Tem um gênero musical muito popular no Egito que é o shaabi, que significa, na tradução livre, “do povo”. É música de protesto, que fala da vida e das dificuldades da classe trabalhadora. Nos últimos anos surgiu uma reinvenção do shaabi, misturando com o hip hop e a música eletrônica. Sadat e Alla Fity Cent são dois dos nomes mais famosos dessa nova onda e tem uma compilação bem bacana deles no Spotify.

(Gente, devo admitir que pro Egito foi difícil, viu)

OUÇA TAMBÉM: Tamer Ashour, Oka Wi Ortega

ESPANHA – Bosques de Mi Mente

Tivesse eu descoberto o último álbum desse cara (Ignacio Nieto Carvajal), ele certamente teria entrado na lista de melhores discos de 2017. Ele usa basicamente o piano pra passar poesia em forma de música instrumental. Lançou 12 álbuns entre 2007 e 2017 e só parou porque cansou de ver suas músicas sendo utilizadas como fundo de vídeos usados para comerciais e campanhas a favor do porte de armas – sem a sua permissão. Suas músicas ora são tristes e melancólicas, ora são aquela brisa fresca que você precisava pra criar alguma faísca de alegria. Indico Madre (2017), LoFi (2007) e Colores (2011), onde ele brinca com alguns vocais e sons de brinquedos, o que resulta em algo realmente muito bonito de se ouvir.

OUÇA TAMBÉM: Manu Chao, El Último de la Fila, Duncan Dhu

FRANÇA – Daft Punk

Vou ter que focar na cena eletrônica da França porque os caras representam demais! Na verdade, eu não poderia deixar de falar do Daft Punk, um dos maiores nomes da música atual de maneira geral. Porque vejam só, não é qualquer um que lança um álbum sucesso de público e de crítica (Radom Access Memories, 2013), ganham Grammys e se dão o luxo de não sair em turnê. Sério, eles não fizeram um show sequer – apenas uma participação surpresa num show do Phoenix. Fora toda a influência deles na música eletrônica, principalmente após o lançamento do hit One More Time. Ultimamente eles têm produzido uma galera e o The Weekend tem sido o nome que mais tem recebido colaboração. Até trilha sonora eles já fizeram (Tron: O Legado, 2010). Eu poderia contar mil coisas sobre eles aqui, mas vou me limitar a indicar o Homework (1997) e o Discovery (2001).

OUÇA TAMBÉM: Paradis, Justice, AIR, In Love With a Ghost, Louise Attaque

INGLATERRA – Working For a Nuclear Free City

Se você assistiu a série Breaking Bad, você com certeza escutou o som dos caras. Tá lá no primeiro episódio. Está no filme Heróis (Push, 2009), também. Formada na cidade de Manchester, a banda prometeu 5 álbuns e lançou 4 deles. Problemas pessoais entre os integrantes deixaram os fãs confusos, mas até satisfeitos com o que saiu. Entre fins e recomeços, surgiram projetos paralelos, projetos solos… ou seja, é uma galera que ama música, vive de música e tá interessada em fazer música de qualidade. O som do WFANFC é bacana por ser progressivo e envolvente. Na verdade, sempre que ouço eu sinto que as músicas me levam exatamente aonde eu quero ir e essa sensação é maravilhosa. Álbuns que você precisa ouvir: o homônimo, de 2006, e o Jojo Burger Tempest, de 2010.

OUÇA TAMBÉM: The Cinematic Orchestra, Bent, Bombay Bicycle Club, Stereolab

IRÃ – Axiom of Choice

Eu já tinha desistido de procurar algo do Irã quando encontrei essa banda. Fazendo a fusão da música clássica persa com a música ocidental, a banda na verdade foi formada nos EUA – possivelmente uma consequência da Revolução de 1979, que proibiu, entre diversas coisas, a música ocidental no país, pois ela desvirtuaria os jovens iranianos. O grupo é formado por 7 músicos tocando instrumentos enraizados na cultura persa. Foram três álbuns lançados, mas fica a indicação do segundo, o Unfolding (2002), basicamente por conter coisa bonita que é essa música:

OUÇA TAMBÉM: Mohsen Namjoo, Hosseim Alizadeh

 

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E aí chegamos ao final da primeira metade da lista. Ainda tem 16 países pra visitar e sinceramente ainda tem muita coisa boa pra mostrar. Cola aqui na semana que vem de novo, beleza? Promete que não vai esquecer?