Dia dos Namorados tá aí, pá e tal… os planos pro 12 de junho já estão sendo feitos e, como nesse ano a data cai numa terça, o tempo é um pouco limitado. Mas não tem problema: pra (tentar) aproveitar a noite de uma maneira bacana, seguem quatro dicas de filmes para refletir sobre o Amor. Alguns são alto astral, outros nem tanto, mas certamente todos levantam umas ideias importantes de se pensar.

(Não, 500 Dias com Ela não é um dos filmes dessa lista, mas bem que poderia)

Amor à Toda Prova (Crazy, Stupid, Love; 2011)

O filme conta a história que se desenvolve a partir do divórcio entre Cal (Steve Carell) e Emily (Juliane Moore). Os dois tentam aprender a viver separados, com estilos de vida bastante diferentes, e ainda assim lidar com os desafios da paternidade/maternidade. Enquanto Emily tenta focar no trabalho, Cal recebe a ajuda de Jacob (Ryan Gosling) para se transformar num conquistador e superar o casamento. O filme conta ainda com Emma Stone, Kevin Bacon, Jonah Bobo, Marisa Tomei, Aneleigh Tipton e Joey King (que fez uma ponta até no O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e além da discussão sobre o Amor, levanta também uma interessante discussão sobre masculinidade tóxica e amizade entre homens – assuntos que pretendo tratar em breve por aqui.

Porque é uma boa assistir: diferentemente da maioria das comédias românticas (na verdade, prefiro classificar esse filme como uma dramédia romântica), Amor à Toda Prova tem ritmo, originalidade, humor certeiro que foge do pastelão e do absurdo – e uma trilha sonora maravilhosa. Mas o principal ponto de reflexão do filme é a maneira com que você lida com o relacionamento com o passar dos anos, o que pode se tornar um monstro real. Fala sobre comodismo, fidelidade, a sua felicidade e a felicidade do parceiro. É um filme divertido, leve e ainda assim consegue ser fonte de algumas reflexões importantes.

Ela (Her, 2013)

É um filme que já é figurinha certa no álbum de filmes amados da galera hipster/cult/coisas do tipo, mas isso não o torna necessariamente um filme chato. É, na verdade, uma proposta diferente e executada de uma maneira bem interessante. Conta a história de Theodore, um escritor que, num futuro próximo, se apaixona pelo seu sistema operacional, uma inteligência artificial que ganha vida pela voz de Scarlett Johansson. Isso pode parecer um absurdo, mas depois que você entende a proposta, as coisas começam a fazer sentido. O filme ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original e foi indicado a outros quatro, incluindo Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora (uma das melhores que já ouvi, composta por Owen Pallet e pela banda Arcade Fire) e Melhor Música (“The Moon Song”, composta por Karen O)

Porque é uma boa assistir: além de fazer uma crítica à maneira como permitimos que a tecnologia se entranhe nas nossas vidas, o filme aborda belamente a questão de como nos relacionamentos com o sentimento Amor. Faz você se fazer perguntas como: o que significa o Amor pra mim?, como eu pratico e como eu recebo Amor? ou o que eu espero de alguém que eu amo?. Põe o amor como um terceiro integrante meio invisível do relacionamento, o real intermediário entre duas pessoas, o que é óbvio, já que todo mundo sabe que tem que estar ali, mas ninguém dá atenção porque é algo abstrato demais.

Questão de Tempo (About Time, 2013)

Deus é mais com esse filme, viu. Depois de descobrir que os homens da sua família têm o poder de viajar no tempo quando completam 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) começa a explorar tal poder principalmente pra se ajeitar em seus relacionamentos amorosos. Depois que ele conhece Mary (Rachel Adams), sua vida começa a fazer sentido e ele faz de tudo (ou seja, usa seu conveniente poder) para mantê-la em sua vida.

Porque é uma boa assistir: ao contrário do que você pode pensar ao ler essa sinopse, também é um filme que foge do pastelão e se apoia mais na maneira como Tim se descobre e descobre o Amor em sua convivência com Mary. Parceria, casamento, felicidade e ainda uma bela história de amor entre Tim e seu pai, que também dá uma bela cor ao filme. É interessante também que o filme foge da estrutura clássica onde em determinado momento o protagonista faz uma grande merda que o afasta de sua amada, tendo que fazer algo grande pra reconquistá-la e… não, não tem isso. É um filme bonito, incomum e delicado.

Toda Forma de Amor (Begginers, 2010)

Oliver (Ewan McGregor) conhece Anna (Mélanie Laurent) numa festa e êêê, se apaixonam, basicão. Os dois vão se conhecendo, se apaixonando e se descobrindo, ao mesmo tempo em que Oliver tem que cuidar de seu pai, Hal (Christopher Plummer, que levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel) – doente terminal e recém assumido homossexual, o que gera alguns conflitos que também são trabalhados no filme. Muitas informações num momento complicado na vida de Oliver e lidar com tudo isso torna-se um profundo processo de reflexão pessoal. E aí voltamos um pouco aos fluxos e significados não só do Amor em si, mas também de amar.

Porque é uma boa assistir: o filme não é linear, e isso se torna um desafio. É um filme poético e realmente bonito, que fala de aceitação de si mesmo e da individualidade do outro. Crescer às vezes pede uma agilizada no processo de amadurecimento e Toda Forma de Amor pega bem nesse ponto.

No fim das contas, podem até ser filmes que propostas e vibes diferentes, uns mais ou menos divertidos que os outros, mas são filmes muito úteis pra se repensar vários aspectos de um relacionamento, seja olhando pra dentro de si ou olhando pra fora. Pode ser um pouco perigoso? Talvez. Mas o que a vida sem uns riscos que podem nos fazer amadurecer, não é mesmo?