Dia dos Namorados, minha gente. Chegamos a mais esse marco capitalista do ano, onde percebemos que já estamos no meio dele e vemos em todos os lugares demonstrações diversas tanto de amor e carinho quanto de “Deus me livre, mas quem me dera”. Já falei aqui uma vez que nesse mesmo dia no ano passado uma amiga minha pediu pra eu montar uma lista pra ela curtir um jantarzinho bacana com o esquema dela, mas não tinha entendido perfeitamente a proposta dela e coloquei só músicas românticas. Tô vindo aqui dessa vez pra fazer o serviço direito e vou dividir o post em dois momentos pra noite dessa terça-feira (que péssimo dia de semana para um 12 de junho) de vocês ficar mais quentinha e gostosinha. Não sei se vocês confiam o suficiente em mim pra isso, mas vamos nessa:

Primeiro momento: os papinhos durante o jantar, onde rolam uns papos bacanas sobre a vida, boas memórias vêm à tona enquanto se planejam outras… esse momento pede umas músicas românticas, felizinhas, aquela coisa de aquecer o coração mesmo, tipo essas aqui:

Cotton Jones – Gone The Bells

O quarteto americano trouxe essa coisa bonita dessa música em seu segundo álbum, “Paranoid Cocoon”, de 2009. A música é apaixonante logo de primeira: o riff de guitarra é simples, as vozes são suaves e até sininho de Natal aparece pra dar um ar de que tá tudo no lugar certo. Enquanto isso, a busca pelo coração da pessoa amada se confunde com flores e amantes no parque, aquele cenário bem inspirador de filmes de comédias românticas que a gente gosta, mas não admite porque tem vergonha.

The Shins – Simple Song

Essa é uma obra-prima, na verdade. É pra cantar junto, vibrando, aquela coisa de casal animado. E vou dar mais um motivo pra cantar essa música o máximo possível: a música foi composta num momento em que James Mercer (vocalista do The Shins) tinha acabado de se mudar para sua nova casa enquanto sua esposa descansava perto dele. Era um momento feliz, bonito e simples, o que lhe inspirou a falar sobre todas as sensações que ela despertava nele. O lance é que ele trouxe diversas imagens e metáforas que ultrapassam o simples que ele tinha em mente inicialmente. Daí surgiram versos sobre cumplicidade, reciprocidade e a efetividade de um relacionamento na vida de alguém (“when you feel lika an ocean beeinng warmed by the sun“. Ele fala sobre a ideia que sempre lhe foi passada de que o amor deveria ser provado de alguma (ou diversas) maneira, mas conclui algo completamente diferente: “Love’s such a delicate thing that we do With nothing to prove /Which I never knew“. (É possível que vocês lembrem de How I Met Your Mother ouvindo essa música e vocês estão certos).

La Lá – Caramelo

Eu ainda não superei esse disco maravilhoso que saiu no ano passado e sigo aqui falando dele. Essa é a hora que o casal levanta e dá uma dançadinha coladinha (é inevitável, gente, é só ouvir a música que vocês vão entender), dão umas risadinhas, umas brincadeiras e tal e aí não tem mais como negar que a paixão tá preenchendo a sala inteira. Tem até hesitação em amar – “Y si me miras tan dulce, que me hieres los poros“. É romance peruano com gosto de Brasil surtindo um efeito incontrolável, podem apostar.

Jorge Ben Jor – Quase Colorida

Em 1965, Jorge Ben Jor visitou o jazz e a bossa com seu disco “Big Ben”, mas não deixou seu lado romântico papo reto de lado. Em Quase Colorida, o carioca traz um cenário em que Sol e Lua não mais são o centro das atenções, mas sim meros espectadores dos sentimentos sua amada. E que sentem também, tal como o apaixonado. Tem sorriso, olhar e amor de sobra nessa entrega que só não é melancólica porque tem o climinha de festa que o cantor traz em qualquer música.

Letuce – De Mão Dada

Não podia faltar Leticia, né? Ela tem uma música pra cada vibe da vida e pra Amor e Dia dos Namorados não ia ser diferente. Essa daqui é a que abre o primeiro álbum da banda, lá em 2009, o “Plano de Fuga pra cima de Mim e dos Outros”. Mais doce do que nunca e sem vergonha como sempre, ela canta “eu te demoro porque eu quero, não tenho medo do que eu espero“, reflete sobre novidades e sobre o significado de alguns detalhes e gestos simples – como andar de mãos dadas. Também sobram sorrisos pra esse momentinho de chamego da noite.

Rihanna – Love on the Brain

Pra fazer a transição pra próxima parte, quis botar alguma do poder em forma de pessoa que é a Rihanna. Digo, por mais que eu não conheça muito de suas músicas, do longe que acompanho, ela é a artista pop que mais me chama atenção por prezar em fazer o que ela curte e da maneira que ela quer, sem se prender muito a algumas coisas que limitam a criatividade no mercado fonográfico – trace um paralelo com relacionamentos e você terá algo interessante. E como não sou conhecedor, perguntei outro dia pra quem conhece me indicar alguma música romântica dela e Love on The Brain, música de “Anti”, seu último álbum, lançado em 2016, foi quase unanimidade. Sente a pegada:

E aí partimos de vez pro segundo e não menos importante momento da noite: o de flertes, carinhos e carícias, de menos papo e mais chamegos e atitude. Os olhares já dizem outras coisas, as mãos também e a razão já está a duas taças de vinho de distância – perfeito pra estar um pouco mais livre, mas ligado ainda nos limites do rolé (brother, se liga nos limites da mina). O clima pede outra pegada de música. Pede algo menos fofo, menos romântico, e um pouco mais íntimo. É a vibe sensual seduction, pra armar o climinha, dançar coladinho e tal. Se liguem:

Mart’nália – Cabide

Já passou comida, sobremesa e agora é a hora de levantar e ficar mais coladinho. É a hora da prova dos nove. E esse sambinha delícia da Mart’nália é o convite perfeito pra isso: “quero ver se você tem atitude e se vai me encarar“. Aquela coisa meio romântica, meio boêmia; é o flerte, a chamada na xinxa, com doses precisas de objetividade. Tá no álbum “Menino do Rio”, lançado em 2005.

Perotá Chingó – Canción para el Viento, La Lluvia y Luchia

Galera, se estiver chovendo, não esqueçam de botar essa musiquinha aqui. Combinado? Dito isso, falo com tranquilidade que essa música extrapola a audição e bate em outros sentidos: tem cheiro de cangote, gosto de beijo bom e aquela sensação de roupa indo embora. “Que maravillosa forma de empezar / El dia enroscando-nos asi asi“. Essa música é a garantia da noite feliz e agradável, vão na minha.

Tei Shi – Baby

“But hold me close, and we can dance to the violenceé a porrada que vem logo no início da música, hein. Quem manda essa é Valerie Teicher, que nasceu na Argentina, de ascendência colombiana e canadense, criada no Canadá e hoje mora nos EUA – essas misturas sempre trazem algo legal. Aqui eu trago a canção Baby, que tá no seu álbum de estreia “Crawl Space”, lançado ano passado, que pra além dessa intimidade toda desse verso fala de detalhes… ainda mais íntimos, do jeito que a galera gosta.

TV on The Radio – Wear You Out

TV On The Radio é uma das bandas mais subestimadas dos nossos dias. Os caras têm uma originalidade incrível e letras geniais. Pra falar a verdade, eu queria falar sobre a música Lover’s Day, que é uma das mais bem escritas odes à paixão e à pegação desenfreada (pronto, falei), mas Wear You Out tem mais disso na sonoridade: o riff de guitarra caminha de mãos dadas com a base de baixo criando uma vibe misteriosa e intrigante; a percussão cresce aos poucos; novos instrumentos entram em campo e deixam o jogo mais intenso do que nunca até alcançar o êxtase derradeiro: “Now you’re two hours away / From starting your day / And you can’t be late / So let’s get straight  /let me wear you out”. Essa música é como pular de paraquedas pela primeira vez: sabe o que vai acontecer, mas não sabe o que vai sentir e seja o que vocês quiserem.

Beyoncé – Rocket

De lap dance a várias cositas a más, Beyoncé traz o mais íntimo de um momento já bastante íntimo pra essa música do álbum homônimo, lançado em 2013. Nas palavras dela: “o que eu amo nessa música é que ela te leva por essa jornada. Você está falando e você está flertando e você botando pra f**er [tradução livre hehe] – e aí você chega no clímax e fuma um cigarro“. É todo um processo de envolvimento, sedução, cheio de detalhes etéreos: “Hold me ‘til I scream for air to breathe / And wash me over until my well runs dry / Send all your sins all over me babe, over me“. Com ela não tem “ou vai, ou racha”. É só vai, de uma vez só. Fora que esse clipe, minha gente, não é brincadeira não, viu.

Daniel Caesar – Get You (feat. Keli Uchis)

Poucas músicas definem tanto o clima pra esse momento quanto essa. Talvez por isso que ela esteja aqui no final da lista. Ela foi indicada ao Grammy ano passado na categoria de Melhor Performance R&B, mas poderia tranquilamente levar qualquer prêmio de Melhor Música Para Se Atracar com o Broto. Certamente está em 90% das listas criadas pra sexo desde que ela saiu e não seria diferente nessa que vos preparo e não é por menos: “Every time / I look into your eyes I see it / You’re all I need / Every time I get a bit inside I feel it“.

Agora eu vou deixar vocês sozinhos aí porque com certeza vocês têm coisas mais importantes para fazer.