Uma querida que eu encontro raramente cruzou a rua comigo dia desses. Eu estava saindo da minha dobradinha aula de piano + terapia, então estava particularmente leve. Quase não a reconheci, bem mais magra do que eu lembrava, dividimos um abraço longo e honesto e então ela me perguntou “me conta Ju, como você tá?”. A resposta já presa na ponta da língua veio rapidinho “bem, e você?”. Pra minha surpresa, ela respondeu “tô bem na merda amiga”.

Aquela sinceridade entre as arvores do Jardim Botânico me bateu como um choque elétrico. Ela simplesmente respondeu minha pergunta. A tal que sempre se faz quando se esbarra com alguém conhecido. É educado perguntar, eu aprendi. E adoro essa pergunta, acho sonora, gostosa, mas percebi que a maioria das vezes que a escuto, não respondo direito, e quando a faço, não espero uma resposta honesta, como da minha querida. Afinal, Ninguém tá sempre bem, tudo certinho, tranquilo. Mas é isso que a gente responde.

E não que seja errado dizer que está tudo ok quando não está. Essa é uma das mentirinhas educadas que a gente cultiva pra viver em sociedade. Mas é tão bom desabafar quando algo não está bom. Como com essa amiga, ficamos muito tempo conversando e marcamos uma cerveja pra continuar o papo. Acontece que partes das dores que ela sente agora eu já degustei um dia, e acredito que eu ainda tenha como ajuda-la de alguma forma, nem que seja apenas ouvindo.

Serve pra quando tá tudo além do muito bem, também. Lembro de uma vez que eu tinha acabado de conhcecer um carinha que era tudo que eu queria, aparentemente, e uma amiga passou por mim no trabalho e perguntou “e ai Ju, como você tá?” e eu respondi “apaixonada”. Imagino que o choque elétrico na surpresa tenha percorrido por ela também, porque foram cinco minutos de gargalhada completa e depois mais meia hora de conversa e mais um vinho no final de semana pra esmiuçar o assunto.

Então sim, me pergunta como eu tô, mas espera pra ouvir a resposta. Não vou te enfiar num monólogo meu sobre a falta de oportunidades pra jornalistas no RJ na fila da padaria, mas se você tiver um tempinho, bora tomar com café, e eu te conto que “tudo bem” não resume nem metade do que acontece aqui dentro.

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