• 08:00 e o despertador surge aos gritos. Instagram. Vejo alguns storys, enrolando na cama, olho o relógio e já são 8:15. Coloco o pão de forma na torradeira, me visto com uma roupa qualquer e jogo as maquiagens na bolsa pra ajeitar a cara no caminho. Agua no rosto, rabo de cavalo, xixi e escovo os dentes.
  • 08:35 no ponto de ônibus esperando. Checo minhas conversas e os grupos incansáveis do whatsapp enquanto como a torrada seca porque não deu tempo de passar uma manteiguinha. Passaram-se dez minutos e eu não desgrudei a cara do celular, como resultado, vejo meu ônibus passado por mim e saio correndo atrás dele desesperada. O integrada 3 não passa sempre, gente.
  • 08:50 sento na janela e pego meu livro. Leio uma página e meia sem raciocinar nenhuma palavra e resolvo olhar o celular só pra colocar uma música no Spotify. Quando percebo está chegando meu ponto e eu não passei a maquiagem que eu queria e nem li o livro. Tudo bem, vou terminar de ver o perfil da Giovanna Ewbank e fazer sinal.
  • 9:30 perdi o ponto e vou andando pra aula de piano.
  • 10h20 saio da aula e pego meu celular pra ver as mensagens que me mandaram enquanto ando pra psicóloga. Faço todo o trajeto agradável pelo parque lage, andando entre os reflexos das folhas das árvores na cabeça e os pedacinhos de sol entre elas, com os olhos grudados na tela retangular.
  • 10h40 chego na análise com dez minutos de atraso graças ao meu passo lento de transeunte no celular, então começo a reclamar de como a vida anda chata, eu não conheço ninguém novo, não vivo experiencias excitantes e viver ultimamente parece que é só ver o tempo passar.

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Então, esse é um dia meu da semana passada mas eu aposto que é parecido com um seu. Porque eu vejo isso em todo mundo.

A gente não se desgruda do instagram, whatsapp, facebook, e as vezes me pego até vendo minha galeria de fotos. É o cúmulo do ócio mal aproveitado. Todos os pequenos momentos que eu descrevi da minha segunda-feira foram preenchidos com não-informações virtuais de coisas desimportantes.

Eu não tomei café da manhã com calma, não passei o batom vermelho que eu gosto e não li meu livro. E mais, não vi a velinha fofa voltando da feira com as compras na mão, não percebi as risadas das crianças saindo do colégio, não senti os raios de sol no rosto. Eu não estive presente pra tantas sensações que o dia me oferecia porque decidi me conectar com quem não estava ali.

Sabe aqueles 10 segundos que a Netflix te dá entre o fim de um episódio e o início de outro? Eu cheguei num cúmulo que nesses 10 segundos eu já cato o celular pra ver qualquer coisa. Não tem como isso ser saudável, gente. Então resolvi que vou me distanciar de algumas redes sociais e esse texto te recomenda fazer o mesmo. A gente não sabe o que está perdendo com a coluna virada pra baixo encarando a tela retangular.