Filha de sul-coreanos, educada em escolas americanas na Coreia do Sul e no Japão, ela estudou arte conceitual asiática e design gráfico na Pensilvânia, já morou em Atlanta e hoje mora em Nova York. Tudo isso para apresentar a artista Kathy Yaeji, que faz um som que é fruto de sua história.

Em 2017, Kathy lançou dois elogiados EPs (yaeji e EP2) que a fizeram decolar com incrível facilidade na cena de música eletrônica nova iorquina. Ela apareceu em algumas listas dos melhores discos do ano (pelo combo dos dois EPs), fez set pra Boiler Room e foi marcada pela conceituada Pitchfork como “a mais excitante nova voz da house music” . Conclusão: ela entrou na lista de artistas promessas da BBC Music.

Não é à toa: a moça brinca com facilidade num deep house minimalista que quase soa como uma homenagem a muita coisa que se ouvia nas boates underground nos anos 90 e início dos anos 2000 (Romanthony, Metro Area, Frankie Knuckles) – um dos cenários musicais mais bonitos da história e daí se ressalta a beleza do trabalho de Yaeji.

O primeiro EP é te faz mergulhar numa piscina devidamente climatizada ao ponto que ela quer e você apenas aceita; é uma droga perfeitamente lícita, que dá aquela onda leve da qual você não quer sair nunca. Ou pelo menos é algo parecido com isso que o clipe de “Feel It Out” sugere. Se liga só na psicodelia:

O segundo EP traz músicas com graves ainda mais pesados. Por mais que tenha a quase pop “Passionfruit” e que comece com o suspiro “Feelings Change”, é humanamente impossível resistir à porrada dançante que é “Raingurl”. “Mother Russia in my cup / And my glass is foggin’ up” abre o refrão quando você já tá de olho arregalado e sem entender o feitiço que te faz ir até o chão.

A explicação é o título: Yaeji é um fenômeno. E você não consegue controlar fenômenos. Eles apenas acontecem e você procura lidar com as consequências.