A mamoplastia redutora mudou a minha vida. Mudou a minha relação comigo mesma e a minha relação com o mundo. Eu sempre procurei me amar do jeito que eu era, mas eu nunca consegui me sentir tão realizada como eu to me sentindo agora. Agora eu sou uma nova mulher, uma mulher mais forte, mais confiante, mais feliz! E sim, uma cirurgia plástica é capaz de fazer tudo isso. Além de melhorar a questão de autoestima, melhora o bem estar, a saúde e tudo que engloba uma rotina.

Vou começar lá do início, quando eu era apenas uma menina, mas não uma menina como as outras. Eu fui a primeira menina a usar sutiã na escola, e vocês não tem ideia de como eu era zoada por isso. Eu era apenas uma criança, e já tinha peitos! O tempo foi passando, puberdade, corpo feminino, e eu fui ganhando mais peito (óbvio), só que chegou em um momento que eu não suportava mais aquele peso. As costas e o pescoço doíam muito. Achar biquíni era algo impossível. Sutiã? Sair sem sutiã? Eu nunca nem cogitei!

Em 2013, quando eu decidi olhar com um pouco mais de carinho pra mim mesma, eu comecei a aceitar eles. Foi um momento muito importante pra mim, como mulher. Foi quando eu perdi a minha virgindade, foi quando eu me vi nua na frente de alguém pela primeira vez. Com o tempo eu passei a perceber que eu preferia transar de sutiã, por vergonha. Meu peito direito era muito maior que o esquerdo, e eu tinha certeza que todo mundo percebia isso. O tempo passou, e a menina de 17 anos se tornou uma mulher de 18, 19, 20, 21.

Com 19 anos – em 2015 – eu já aceitava mais o meu corpo, já conseguia me olhar nua no espelho e amar aquele reflexo. Aceitação é um processo diário, e eu nunca desisti de mim! Apesar de me amar, eu sempre soube que eu queria mudar isso em mim. Muita coisa me impediu de fazer isso antes, opinião alheia então, nem se fala.

As pessoas gostam de se meter na vida das outras, né? Vocês não tem ideia do que eu ouvi! Jana, para de bobeira. Jana, sério que precisa tanto? E elas sequer percebiam que aquela situação era muito particular, e às vezes nem eu percebia. Eu adiei muito pela opinião dos outros, eu adiei muito pela opinião dos caras que se relacionaram comigo. Era só eu receber um elogio que eu deixava esse problema pra lá, mas não era um problema fácil de deixar de lado. Eu tinha que lidar com ele todos os dias, e por toda a minha vida. Ninguém entendia o peso que aquilo tinha.

Em outubro de 2017 eu decidi que no mês seguinte seria a minha vez! Marquei a minha cirurgia logo na primeira consulta com a Dra Clarice Abreu e eu tinha apenas 1 mês pra fazer sei lá quantos exames, além de adiantar trabalhos e provas na faculdade (pra não perder o semestre). Correria, cardiologista, ultra som, mamografia, exame de sangue, não vai dar tempo, deu.

No dia 24 de novembro de 2017 eu entrei no Hospital Barra D’Or e deixei a antiga Janaína lá. No dia 25 eu saí com menos 1kg de peito e uma autoestima x1000! Eu tirei 600g e alguma coisa do direito e 300g e alguma coisa do esquerdo. Sim, como eu disse lá em cima, a diferença era beeem grande.

Vamos ao pós! O pós é delicado, todo cuidado é pouco. É uma recuperação bem chata, dor, enjoo, incomodo… É um momento que você começa a valorizar as pequenas coisas, como lavar o cabelo, como conseguir levantar sozinha da cama. É um momento de muita sensibilidade também, uma gota é capaz de transbordar o copo (a qualquer momento), e é preciso manter a calma. A minha recuperação demorou 2 meses, normalmente demoraria apenas 1 mês, mas eu tive uma infecção no meio do caminho, e tudo levou mais tempo. Como eu disse, é preciso manter a calma.

Com todos os imprevistos, eu só pude cuidar da minha cicatriz (de forma estética) depois do terceiro mês, e até hoje eu continuo cuidando. Cremes e outros produtos entrarão na sua rotina, já fica de dica! É uma cirurgia muito agressiva e a cicatriz é grande SIM. Pra mim, esse é o menor dos problemas, mas tem quem se incomode (o que é super normal também). Eu assumi minha cicatriz de uma forma bonita, uma coisa que nem eu esperava de mim, eu zero escondo, se tiver que aparecer, que apareça! Elas fazem parte da minha história agora.

Acho que dessa forma eu consegui passar um pouquinho da minha experiência, respondi algumas perguntas durante o texto, mas gostaria – de verdade – que vocês mandassem perguntas por aqui, e-mail, direct para que eu possa responde-las num próximo post! E é importante também deixar claro que isso aqui não é um incentivo à cirurgias plásticas, é apenas o meu depoimento como mulher. Se sentir que tem que fazer, faça. Se sentir que não é a hora, espera. Se a hora nunca chegar, tudo bem também. Faça o que for te fazer bem e feliz! Vamos buscar apenas transformações positivas, e não impostas pela sociedade. Nosso corpo, nossas regras!