Tinder. Coisa vazia, né? Você curte a pessoa pelas fotos, basicamente, tem um papinho meia boca de “oi, tudo bem? Fala de onde?” e marcam de sair. Esquisito. Ai você encontra o rapaz ou a mocinha, e aquele silêncio constrangedor ocupa mais uma cadeira da mesa do bar com vocês. Ai desce cerveja, e quando você percebe, tá indo pra casa dele ou dela. A noite é bem gostosa, melhor do que toda a conversa que veio antes. Amanhece, “Tchau, foi um prazer, vamos marcar de novo semana que vem” e pronto.  Cada um segue pra um novo “Match”. Eu sempre pensei assim, só que uma das minhas amigas vai casar. Eles são perfeitos um pro outro, e não se conheceram através de um amigo em comum ou em uma festa.

Foi no Tinder. Outro caso é com uma das minhas melhores e mais antigas amigas, ela namora tem alguns anos uma mina muito querida. Esse encontro foi viabilizado pelo, adivinha? Sim, pelo Tinder. Outra amiga querida minha se mudou agora pra São Paulo com o namorado, que ela conheceu através do…Tinder! Meu amigo mais implicante e maravilhoso conheceu o namorado também no Tinder. Uma moça que trabalha comigo, casada tem uns dois anos, conheceu o maridão, pai da sua filha pequena, pelo Tinder.

E claro, esses lindos encontros não anulam as histórias dos corações partidos de alguns e algumas. Mas me deixou pensando que talvez os encontros do Tinder só sejam superficiais se você for também. O aplicativo é uma ferramenta, a relação em si quem faz são os dois ou duas. Você pode tratar o Tinder como uma forma de arranjar alguém pra se distrair por uma noite só ou uma facilidade pra conhecer pessoas diferentes que a vida ainda não te mostrou e que, quem sabe, podem vir a se tornarem muito especiais pra você.

É uma pena quando pessoas com os diferentes objetivos cruzam caminhos, e eu sei que acontece muito, mas a vida é assim, o Tinder é só reflexo. Entendo que o aplicativo tenha facilitado o “sexo sem compromisso”, mas também facilitou os encontros.

Não estou dizendo que amo o Tinder. Tenho minhas ressalvas porque normalmente não consigo sustentar o papo do “oi, tudo bem” com alguém por uma tela de celular, sem olhar nos olhos. Isso sem falar do fato que eu não sei escolher fotos e me sinto desconfortável com isso. Mas aí é comigo. Assim como você, tenho o direito de escolher ter ou não o Tinder, mas eu não o culpo mais pelas péssimas experiências dos meus conhecidos ou das minhas futuras experiências.