No ano passado, escrevi um texto especial para o 8 de março buscando refletir sobre o significado do Dia da Mulher para as mulheres do século XXI. Nesse texto, falei um pouco sobre a história por trás do 8 de março, bem como as motivações que levaram a criação de uma data especial para celebrar os direitos da mulher, e também sobre a greve geral convocada por movimentos feministas no 8 de março do ano passado.

Dessa vez, me dedico a escrever um texto relembrando figuras femininas latino-americanas que fizeram história na luta feminina por direitos. Espero que, trazendo um pouco das conquistas dessas mulheres incríveis pra esse espaço, possamos nos inspirar em suas ações e suas lutas para construirmos um feminismo pensado por mulheres e para mulheres que alcance as demandas seculares que, infelizmente, ainda são necessárias, e também as novas demandas das novas gerações.

1 – Frida Kahlo

Se você já não conhece a história dessa maravilhosa artista você pelo menos já ouviu falar dela em algum momento da sua vida. A mexicana Frida Kahlo ficou conhecida por suas pinturas que carregam uma grande influência estética da cultura mexicana, ela pintava muitos auto-retratos e se tornou um ícone feminista por retratar tão bem a experiência feminina. Frida Kahlo foi a primeira artista mexicana a ter um quadro exposto no Museu do Louvre, em Paris, e enquanto morava na França fez amizade com grandes artistas da época, incluindo André Breton (que ajudou a impulsionar sua carreira) e Pablo Picasso. Além de uma grande artista, Frida Kahlo também era ativa politicamente, tendo sido afiliada ao Partido Comunista Mexicano e abrigado a família de Trotsky durante seu exílio.

2 – Eva Duarte de Perón

Ou Evita Perón, como era conhecida, foi primeira dama da Argentina, esposa do presidente Juan Domingo Perón e figura decisiva na aprovação do voto feminino no país. Evita se pronunciava a favor do voto feminino e da igualdade de direitos entre homens e mulheres desde o começo da gestão de seu marido. Ao promulgar a lei que permitia o voto feminino em setembro de 1947, Evita comemorou fazendo um discurso que foi ao ar em rede nacional. Em 1949, ela fundou o Partido Peronista Feminino para aumentar a influência de mulheres na política, em busca de mais conquistas a favor dos direitos das mulheres na Argentina.

3- Paulina Luisi

Paulina Luisi foi uma médica, docente e ativista do movimento feminista uruguaio. Ela foi a primeira mulher a obter o título de bacharel no Uruguai em 1899, bem como a primeira mulher no país a se formar em medicina em 1908, especializado-se como ginecologista. Paulina era muito respeitada, representando o Uruguai em diversas conferências internacionais sobre a mulher, e sendo também a primeira delegada governamental latino-americana na Liga das Nações (precursora da ONU). Paulina fundou a revista “Acción Femenina”, onde escrevia sobre saúde e sexualidade. Era ativa na luta política, sendo uma das fundadoras do Partido Socialista do Uruguai e fundadora de um dos primeiros sindicatos femininos do país, Unión de Telefonistas y de Costureras. Ela também lutava pra combater a prostituição e pela conscientização a respeito de doenças venéreas.

4- Bertha Lutz

Bertha Lutz foi uma cientista e política brasileira que, por ser filha de imigrantes europeus, se familiarizou com o movimento sufragista inglês liderado por Emmeline Pankhurst. Bertha se formou Ciências Naturais em Paris e, ao voltar para o Brasil em 1919 se tornou docente e pesquisadora no Museu Nacional, se tornando a primeira mulher brasileira a ocupar um cargo público. Ela fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino depois de representar o Brasil na assembléia geral da Liga das Mulheres Eleitoras. Bertha também estudou direito e formulou um projeto de lei que foi fundamental para a aprovação do sufrágio feminino pelo presidente Getúlio Vargas em 1932. Bertha Lutz também é conhecida pela sua luta contra o trabalho feminino e infantil e a favor da igualdade de remuneração entre homens e mulheres. Em 1948 Bertha foi delegada do Brasil na ONU, onde contribuiu para a formulação da declaração dos Direitos Humanos.

5- Esperanza Brito de Martí

Esperanza Martí foi uma jornalista e feminista mexicana conhecida pelo seu ativismo a favor dos direitos reprodutivos das mulheres. Ela foi a diretora da revista Fem por quase 30 anos e contribuiu para diversas outras revistas e jornais. Ela militava a favor dos métodos contraceptivos e do direito ao aborto seguro, incluindo a pressão política e manifestações defendendo a maternidade como uma opção livre e voluntária da mulher. Esperanza foi co-fundadora da Coalición de Mujeres Feministas, do Movimiento Nacional de Mujeres e contribuiu na arrecadação de fundos para criar o primeiro Centro de Orientação e Apoio a Pessoas Violadas (coapevi), que foi a primeira instituição a lidar especificamente com crimes sexuais, bem como o primeiro Centro para Violência Doméstica e Sexual, e contribuiu também para a aprovação de leis que tratavam de crimes sexuais.

Essas cinco mulheres inspiradoras se tornaram ícones do feminismo latino-americano, seja pela luta política, seja por suas conquistas como pioneiras em espaços tradicionalmente masculinos, e por isso eu achei interessante trazer um pouco de cada uma delas nesse post para o mês da mulher. Que, ao relembrar essas mulheres que dedicaram suas vidas, sua arte, seus dons e suas carreiras à luta pelos direitos da mulher, possamos nos motivar a construir um movimento cada vez mais inclusivo e incisivo a favor dos nossos direitos. Viva as mulheres e viva as mulheres da América Latina!