Lá no início de 2012 surgiu uma misteriosa música pelas internets que não demorou a fazer barulho. A música tinha qualidade, originalidade, delicadeza e uma voz encantadora que dava à música certa magia. O grande detalhe é que esse mistério era realmente grande: a música tinha nome (“Open”), tínhamos o nome da banda, mas não sabíamos nada mais do que isso. Quem eram os músicos, de onde a banda era, nem mesmo quem era a dona daquela voz maravilhosa.

Quase um ano depois um álbum foi anunciado e as perguntas começaram a ganhar respostas. A incrível “Open” (“I’m a fool for that shake in your thighs / I’m a fool for that sound in your sighs / I’m a fool for your belly / I’m a fool for you love”) ganhou um belíssimo e complexo clipe e foi revelada a identidade da dupla: o instrumentista sueco Robin Hannibal e o cantor e compositor Milosh – o que foi uma surpresa pra todo mundo, aquela voz ser, na verdade, de um homem.

Woman, primeiro álbum de Rhye, foi lançado em março de 2013 e ganhou o mundo com facilidade. Os arranjos leves, românticos e sensuais, com cordas que você quase sente arranharem as costas desde a primeira nota, convidam o ouvinte a uma viagem intensamente apaixonada entre os lençóis e o calor de uma cama (“Stealing kisses in those misses within beats / Stealing kisses in those bloody sheets / I’m killing you… I’m killing you”, na maravilhosa confissão que é “3 Days”), ou entre o desespero que pesa os ombros num inaceitável fim (“The sun is gone / it fell into the fall / but I don’t wanna this way / why can’t you stay?”, em “The Fall”).

Anos se passaram e depois de anunciar que apenas Milosh seguiria como cabeça da banda (sem Hannibal), um segundo álbum foi anunciado. “Please” saiu como primeiro single, apontando que as raízes seriam mantidas. Blood foi lançado no início de fevereiro desse ano e trouxe outra leva de eroticidade e baladinhas pra se curtir a dois. Milosh retoma à vulnerabilidade em um relacionamento (“’cause you’re my favourite place to bleed”, em “Song For You”) e ao êxtase (“Kill all these ghosts with slow motion explosions / Feel my body through your fears and stains / I’m coming fast, oh my God, oh my God, em “Phoenix”) e entrega uma excelente continuação pro primeiro álbum.

A verdade é que Rhye não é uma banda comum. Não apenas pelo som peculiar, mas por se propor a fazer algo diferente e conseguir entregar umas paradas realmente interessantes. Rola empatia, rola sintonia da música com a alma e com o coração. A parada é ouvir e, como diz a banda Ventre, deixar “escorrer pelas pernas e se perder pelo caminho”.