Valentina saía com um carinha há uns meses atrás. O início foi meio conturbado, mas as coisas foram se resolvendo. Eles se gostaram bastante, acho. Ela contava, pelo menos, mas acabou não dando certo e ele viajou pra longe. Não sei direito quanto tempo durou, mas marcou Valentina bastante. Ela era virgem na época e ele foi o primeiro. Não porque ela o amava, até porque não chegou a ser tanto o sentimento, mas porque ela quis, estava pronta, algo assim.

Valentina é das românticas sabe, ela pode conhecer um carinha numa noite qualquer e sentir todas as emoções que pessoas demoram anos pra desenvolver. Acho lindo, de verdade.

Bom, meses depois eles “terminarem”, ou seria já um ano? Ela é perdidinha na contagem do tempo, eu sei que no coração dela tinham passado meses, eles se encontraram em um bar na zona sul. Ela foi simpática, eles se cumprimentaram e começaram a famosa conversa educada do “e ai, como você está?”. No meio do papo, apareceu um gringo desconhecido e meio inconveniente se metendo no papo. O “ex” foi no banheiro e Valentina continuou conversando com o gringo chato.

Eis que o imbecil importado virou pra ela e disse com muita segurança, em inglês, “eu conheço você! Você perdeu a virgindade com ele”, apontando pro “ex” de Valentina, que agora voltava do banheiro. Eu imagino o desespero da minha amiga. Sua postura madura e educada com o carinha desmoronou naquela informação intima revelada na porta do boteco e ela só conseguia chorar. Valentina chegou a confrontar aquele homem insensível que já tinha feito parte de sua vida, e ele a mandou ir embora. Assim.

A virgindade é uma coisa esquisita, é tabu pra uns, é muito especial pra outros. Pra ela era só a primeira vez de uma coisa, meio dolorida, constrangedora e de certa forma reveladora. Mas, acima de qualquer coisa, era uma coisa entre duas pessoas. Elas poderiam contar pra amigos e conhecidos, mas ninguém mais sabia direito como tinha sido, os únicos que sentiram aquilo foram os dois. Valentina gostava de pensar assim.

Ai naquela noite na zona sul, na rua suja de cerveja e chuva, o gringo insuportável tirou isso da minha amiga querida. O carinha tentou pedir desculpas depois, mas convenhamos, se ele foi frio o suficiente pra contar pra um desconhecido qualquer aquele pedacinho de intimidade, não existia pedido de perdão bom o suficiente que viesse dele.

Valentina diz que o esqueceu, mas se a conheço bem, sei que não é bem por ai. Ela não nutre mais nenhum sentimento sobre ele, quase que se sua existência tivesse sido breve, indiferente, uma pessoa que cruzamos na rua. E, se o assunto “a primeira vez” surge em uma conversa, ela se diverte pensando nas horas que ele precisou pra tirar o sangue do lençol e nada mais.