Chegamos finalmente ao tão esperado ano de 2018 e eu achei que seria uma boa ideia fazer um post com uma pequena retrospectiva do movimento feminista em 2017. Muita coisa relevante pro movimento feminista aconteceu nesse último ano, desde as denúncias em massa de assédio sexual levantadas por mulheres ao redor do mundo inteiro até as punições efetivas aos assediadores e abusadores denunciados, como o que aconteceu com o produtor Harvey Weinstein e o ator Kevin Spacey. 

Essa movimentação contra predadores sexuais veio com uma força que eu definitivamente não esperava, ganhando um território amplo e completamente novo, ecoando as vozes antes silenciadas das vítimas de violências sexuais. O ano de 2017 surpreendeu nesse quesito, apesar de termos retrocedido em tantas outras questões, finalmente a questão da violência sexual está sendo discutida de maneira abrangente não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro.

No início do mês de dezembro de 2017, a revista Time revelou sua escolha de personalidade do ano com uma capa incrível e forte. Essa capa veio composta pela atriz Ashley Judd, a engenheira de softwares Susan Fowler, a lobista Adama Iwu, a cantora Taylor Swift e a lavradora Isabel Pascual. Essas cinco mulheres representam na verdade um grupo muito maior, nomeado pela Times como as Silence Breakers, ou seja, aquelas que romperam o silêncio a respeito do assédio sexual.

Essa escolha feita pela Time é extremamente simbólica para o movimento, que no ano de 2017 finalmente conseguiu ver alguma ação efetiva quanto às denúncias de assédio que foram trazidas à tona. Se em 2016 a Time escolheu Donald Trump, que carrega diversas denúncias de assédio sexual, o fato de que a edição de personalidade do ano da Time de 2017 optou por homenagear as pessoas que se colocaram na linha de frente das denúncias contra predadores sexuais é, definitivamente, um marco para o movimento feminista contemporâneo.

Durante o ano de 2017, então, finalmente vimos uma movimentação de denúncia de abusos e assédios de proporções internacionais, com a hashtag #MeToo sendo usada em mais de 85 países.

Aqui no Brasil, depois de uma denúncia de assédio feita pela figurinista Su Tonani contra o ator José Mayer, as atrizes globais também promoveram uma campanha marcada pela frase “mexeu com uma mexeu com todas”.

Também em dezembro de 2017, “feminismo” foi escolhida a palavra do ano pelo dicionário norte-americano Merriam-Webster. Segundo a editora, houve um crescimento de 70% em relação ao ano passado nas buscas online pelo termo. O dicionário Merriam-Webster define feminismo como “a teoria da igualdade política, econômica e social dos sexos”.

Essas movimentações coletivas que denunciam casos de violências sexuais, tanto contra mulheres quanto contra homens,  bem como o aumento na busca da palavra “feminismo” são com certeza um marco do ano de 2017 para o movimento pelos direitos das mulheres.

Durante muitos anos, assédios e estupros foram cometidos aos montes e igualmente acobertados aos montes, tanto por homens famosos quanto por homens anônimos. Um ano marcado pela movimentação de vítimas conhecidas e presentes na cultura pop contra essas violências cometidas também por pessoas famosas e conhecidas abre portas para que as vítimas anônimas ganhem coragem para denunciar seus agressores.

Se em 2017 as Silence Breakers conseguiram finalmente escancarar a porta que escondia e acobertava seus abusadores, em 2018 nos resta insistir para que toda essa movimentação perdure tanto nas páginas da grande mídia quanto nas bocas de cada uma de nós. 2017, você nos trouxe uma esperança que há muito não sentíamos, principalmente na atual onda de conservadorismo e falso moralismo. 2018, você será muito bem vindo para que possamos manter nossas vozes ecoando contra a violência sexual.