Pouco antes do Dia dos Namorados desse ano, uma amiga me pediu pra fazer uma playlist de músicas românticas pra ela deixar rolando enquanto jantava com o broto dela. Daí minha cabeça começou a explodir de ideias, porque graças a Vênus, o que tem gente por aí que consegue maneiras bem bonitas e singulares de definir o que é o Amor tá fazendo valer a pena acreditar nessa coisa que todo mundo fala.

“As canções de amor inventam o amor” é o último verso da música “A Praia”, do cantor carioca Cícero. Dentre os muitos versos escritos por ele (sou fã de seu trabalho), distribuídas pelos seus três álbuns, talvez esse seja o mais real.

As músicas têm esse poder de virar hino de praticamente qualquer coisa. Pro assunto desse texto, elas viram tema de relacionamento, música de fundo pra jantar, pra viagem… Elas inventam, de fato, diversas maneiras de se sentir o amor.

Enfim, sem mais delongas: fiz uma pequena seleção de umas músicas, conhecidas ou não, que fazem parte do meu inventário de canções que são peças desse infinito quebra-cabeça que se chama Amor.

1) “Those Sweet Words”, da Norah Jones (2004)

A voz suave de Norah cativa, encanta, dança na sua cabeça. Enquanto você ouve essa música, você consegue imaginar a moça sentada no banco da praça ao entardecer, ou o moço sorrindo quanto te vê chegando pro rolé. A música traz aquela sensação acolhedora e quentinha de amor à primeira vista.

2) “Pode vir Comigo”, do Phil Veras (2012)

O Phil tava inspirado na autoconfiança quando compôs essa “canção que fala de nós” toda trabalhada na visão perfeita do casal, passando aquela segurança que todo mundo quer ter numa relação. “Dos pés ao coração”, o convite pra viagem chega rápido, inesperado, sem enrolação e sem tempo pra perder. E o que é o Amor se não isso, não é mesmo?

3) “Trovoa”, do Metá Metá (2011)

Na verdade, a música é do Mauricio Pereira, mas eu tô trazendo pra vocês a versão do Metá Metá, na voz da Juçara Marçal. Tenho pra mim que nenhuma música brasileira consegue traduzir os pormenores do que o amor provoca na gente quanto essa música e a performance da Juçara reforça isso: ela canta, ela fala, ela recita; ela conversa com a flauta, com o violão e com você e a experiência se torna uma catarse íntima que só se torna completa a dois. Há muito a ser absorvido por essa música e eu poderia analisar verso por verso, mas ainda tem música pra botar aqui, então vamoquevamo.

4) “Into My Arms”, do Nick Cave & The Bad Seeds (1997)

Falei da nata daqui, falo da nata de lá: poucas músicas conseguem ser tão tocantes e fortes quanto essa coisa linda que é “Into My Arms”. As crenças pessoais, as verdades e as certezas: tudo se apequena quando tá tudo ali, olho no olho, coração com coração. O Amor é muito maior que isso. “Amar é a melhor coisa que fazemos”, já dizia Ted Mosby.

5) “Quadro Verde”, do Rubel (2013)

Acho que na hora da discussão é discutível qual é a música mais bonita do carioca Rubel. Todas elas são lindas. Mas no fundo, bem no fundo, você sabe que é “Quadro Verde”. Ela joga no simples que é intenso, no que acalma e no que assusta e no quanto a gente fica vulnerável quando a gente arrisca a entrelaçar o Passado, o Presente e o Amor. E às vezes arriscar é necessário.

6) “Birds”, da banda Electrelane (2004)

Eu ainda pretendo muito falar dessa banda por aqui, mas vou deixar só essa palhinha: “Birds” não tem aquele jogo de palavras intensas, não é super elaborada e certamente há músicas mais famosas e mais bonitas que ela. O grande lance é que ela fala daquilo que absolutamente todo mundo passa quando está apaixonado por alguém. O avassalador, aquela coisa de não conseguir parar de pensar na pessoa, a saudade, a sensação que se sente “enquanto os pássaros cantam ao entardecer”. É tudo muito simples, mas muito rico e real e você não vai fugir disso.

7) “The Meaning of Love”, de Steve Kuhn (1971)

Esbarrei com essa música sem querer outro dia. Nem lembro onde ou quando, mas sua melodia e seus arranjos fluidos me encantaram logo de cara, bem como um amor à primeira vista. Eu não sei muito bem se esse lance realmente existe, talvez seja um mito, mas acaba que ela mais passa a sensação gostosa de amar, já entregue à incapacidade de explicar o que é o amor. (Talvez seja melhor não definir algumas coisas, realmente.)

8) “Oba, Lá Vem Ela”, do Jorge Ben Jor (1970)

O cara tá entregue e não tem como fugir! E não importa nada! Essa versão menos possessiva de “Mina do Condomínio” (importante ser menos possessivo) é uma das cores mais bonitas da discografia de um dos mais cariocas artistas de todos os tempos. Vale também porque ele canta na mesma emoção que ele diz que ela lhe desperta, o que empolga e muito.

9) “Crazy Love”, da Laura Nyro (1977)

Sorrateiro, natural e totalmente reconhecível amor é esse na-verdade-não-tão-louco amor do qual Laura Nyro fala nessa música. Fora que ela tem uma das vozes mais bonitas que já ouvi – uma das que as pessoas menos conhecem. É aquela música praqueles amores que a gente não esquece.

Como sempre, playlist em construção tá disposta clicando aqui.

Acabou que minha amiga tinha pedido a playlist pra outras coisas (risos), então ela nem usou taaanto assim. Mas tem outras músicas e playlist tá sempre em construção. Essa playlist que ela queria… é papo pra outro post.