Conheci Giovani Cidreira em julho do ano passado, durante a gravação de um show para a internet. Com os cabelos cortados num visual oitentista, uma camiseta com estampa de lhama que a namorada o havia presenteado e um frescor que só a juventude é capaz de oferecer, conversamos por uma hora e meia sobre Mac DeMarco, o aniversário de 40 anos do disco “Alucinação” do Belchior e sobre todos os shows que queríamos ter visto esse ano, como o do BADBADNOTGOOD no Sesc Pompeia, São Paulo.

Giovani é exatamente o tipo de artista que a música brasileira sempre anseia conhecer, mas nunca percebe que já tem em mãos. Com influências que passam pelo já citado Belchior, Milton Nascimento e Djavan e vão até Marvin Gaye, Mercedes Sosa e a banda Homeshake.

Giovani começou à frente da banda Velotroz, que ganhou destaque na Bahia, seu estado natal. Há 10 anos desenvolve seu trabalho como compositor e arranjador, numa mistura de música brasileira setentista, soul e rock contemporâneo. O potencial lírico de Giovani é peça fundamental para que a sensibilidade de seu trabalho desabroche e emocione seu público. Com letras como a de “Girassol e Tarde”, onde canta “Todo o momento que eu perco em silêncio/ Tudo que eu guardei/Ficou só.”, ou em seu novíssimo single “Vai Chover”, numa fusão de MPB dos anos 90 e de bits de videogame dando uma atmosfera toda lo-fi “A novidade que você quer ser e nem sabe talvez/no mundo inteiro tem alguém que nem você”.

Há de se observar toda a força que um artista como Giovani oferece à famigerada cena independente da música. Giovani traz a beleza das sutilezas do cotidiano, e há um ar meticuloso de alguém que observa as pequenas coisas que a vida com uma necessidade de incorporar isso em seu som, vide os bits de videogame que não estão lá somente por acaso. Existe um universo dentro do cantor que é muito particular, onde as metáforas visuais presentes nas letras das músicas são essenciais para essa imersão existencial.

Em 2017 Giovani lança seu primeiro álbum solo contemplado pelo edital Natura Musical, lar de artistas como Marcelo Jeneci, 5 à Seco, Tulipa Ruiz e Roberta Sá; Produzido no estúdio Casa das Máquinas e mixado pelo excelente Diogo Strauzs, o álbum é uma forte promessa para o segmento de MPB vindo da Bahia, lar de todos os grandes artistas que algum dia já nos inspiraram e fazem parte de nós. E é sob o olhar de Caetano, Gal e família Caymmi, suntuosos como quem observa um filho criar asas e alçar vôos absolutamente incríveis, que mantemos a atenção sobre o que Giovani nos reserva. É impossível não criar expectativas.

Confiram o novo single ” Vai Chover ” e digam pra gente o que acharam ;)