Quando pensei em escrever sobre as estampas de animais, parei e fiquei tentando buscar na minha memória todas as referências e looks que conseguisse lembrar que teria alguma roupa animal print. E apesar de muita gente considerar as estampas de animais – principalmente a de leopardo – “vulgar”, quando eu penso em animal print me vem à cabeça imagens de pessoas com personalidade forte, afrontosas e com uma pegada muito mais rock e rebelde do que vulgar. Afinal, quem somos nós para julgar o que é vulgar?

 

Talvez essa ideia que passa pela minha cabeça do animal print ter esse tom de rebeldia seja pelo próprio histórico da peça. Desde a pré-história, as peles de animais serviam para proteger os seres humanos contra o frio, mas foi no século XVIII que usar pele se tornou símbolo fashion. Usada por reis, rainhas, nobres e figuras religiosas, as peles de animais eram sinônimo de status, riqueza e ousadia.

Desde então, das listras de tigre às manchinhas de onça, as estampas de felinos sempre foram constantes no mundo da moda e o padrão de leopardo despontou como favorito. Na década de 1930, o filme “Tarzan, o Homem Macaco”, lançado pela MGM, foi um enorme sucesso. As roupas usadas por Johnny Weissmuller (Tarzan) e Maureen O’Sullivan (Jane), criaram a febre das estampas de leopardo. Blusas, casacos e cachecóis foram algumas das peças feitas em estampas de animais durante esse tempo. Esses itens representavam a emoção e aventura da selva e uma independência de espírito especialmente incomum para representações de mulheres da época.

Na década de 40, Christian Dior começou a usar a estampa – e não a pele – nas criações. Por causa dele também o animal print ganhou forma em acessórios, bolsas e sapatos. Mas o auge foi quando a estilista Elsa Schiaparelli criou o chapéu de leopardo.

Nos anos 50, 60 e 70, o animal print era um símbolo de elegância e quem fazia uso dessa estampa era considerado diferente, confiante de si e estiloso. O cinema também ajudou a transformar as estampas de animais em símbolos de sofisticação.

 

Nos anos 80, a época do exagero, o animal print seguiu a tendência e se tornou exagerado. As estampas de felinos que foram usadas e abusadas começaram a dividir espaço com as estampas de cobra e zebra. A novidade da década é que apesar da padronagem animal permanecer, agora as roupas ganhavam cores diferentes como rosa pink e verde limão.

 

Esse exagero de animal print dos anos 80 fez com que na década de 90 a estampa de bicho fosse associada a roupas vulgares e de baixa qualidade, talvez por isso as pessoas a chamem de “vulgar” e em vários casos se recusem a usar.
Nos anos 00’s tudo mudou. Tudo é válido. Usa quem quer e onde quiser e como vocês puderam ver, mesmo com tantas transformações, uma coisa é certa: o animal print está sempre na moda.