No meio da agitada Chicago existe um reduto de brechós em um bairro alternativo chamado Wicker Park. A região lembra muito o famoso Brooklyn de Nova Iorque, ou, porque não, a Vila Madalena em São Paulo. O bairro é de estilo hipster com ar meio moderninho, meio retrô, cheio de restaurantes, cafés descolados, lojas de estilistas independentes, galerias de arte, além de, claro, um monte de thrift stores — como são chamados os brechós em inglês.
A prática de comprar em brechós não é tão popular no Brasil, ainda que venha crescendo nos últimos anos. Temos o costume de estranhar a compra de roupas usadas, porque não sabemos a procedência.  Expressões como: “brechó vende roupa de defunto” são comumente ouvidas no país. No entanto, no exterior a situação é um pouco diferente, principalmente nos Estados Unidos, onde as thrift stores estão por todo canto. O americano em geral tem o hábito tanto de comprar quanto de levar suas roupas para vender nesses locais.
Popular ou não, o fato é que quem compra roupas de segunda mão só tem a ganhar. Primeiro, porque os preços são melhores, então financeiramente já é lucrativo. Segundo, porque que montar um look retrô, com roupas que são realmente antigas tem muito mais charme. As thrift stores são lotadas de roupas estilosas que podem ser inspiração para looks super fashions. Por último, essa prática faz parte da filosofia do consumo consciente e pode te ajudar a repensar a cadeia na qual estamos inseridos, onde cada estação há uma nova tendência e que todos “deveriam” seguí-la para “estar na moda”.
Como em todo bom brechó, nos de Chicago é preciso garimpar um pouco. Cada loja, porém, tem sua particularidade. Algumas são focados em roupas realmente vintage, outros têm mais marcas caras e há também aqueles que misturam roupas usadas a itens novos. Além disso, as lojas costumam estar lotadas de produtos, alguns de alta qualidade e outros nem tanto. É preciso também estar atento ao estado de conservação da roupa, já que, por serem usadas, podem apresentar algum tipo de defeito.
Apesar de valer o passeio e a experiência, a má notícia é que os brechós de Wicker Park não tem os melhores preços. No geral, comprar roupa nos Estados Unidos já é bem mais barato se comparado ao Brasil. Talvez, fazer compras em lojas estilo “fast fashion” possa sair mais em conta. O que não quer dizer que seja impossível fazer um bom negócio, principalmente para quem dá valor à marcas caras, como Guess, Louis Vuitton, Marc Jacobs e suas irmãs.
Algumas das lojas de Wicker Park são: Buffalo Exchange (uma rede de brechós que filial em várias cidades americanas), Vintage Underground, Crossroad Trending CO, Store B, US #1 Vintage Clothing. Todas ficam na Avenida Milwaukee e, apesar de próximas, vale reservar uma tarde inteira para curtir a experiência. Porém, não é só nesse bairro de Chicago que se pode encontrar brechós, existem outros espalhados pela cidade. Uma rápida pesquisa por “thrift store” no Google vai te mostrar quais são as lojas mais próximos à você.
Dificilmente Wicker Park vai estar nos roteiros mais óbvios, o bairro é mais conhecido pelos locais, menos turístico e mais escondido. Para quem gosta de entender mais sobre a dinâmica da cidade, ou para aqueles que curtem Moda e adoram um estilo mais vintage, é parada obrigatória. Chicago é bem mais que The Bean, Pier Navy e Skydeck. Wicker Park merece sua visita!
Obrigada pelo post e pela colaboração, Luana Marfim! <3