É muito fácil assistir um filme e olhar pra ele apenas para o que a narrativa está te mostrando. Tentar entender somente o superficial. No caso de Mãe, é impossível você ficar apenas no superficial. A sua mente vai obrigar você a ir fundo e reparar em todos os detalhes que estão na tela. Desde um abajur aceso até uma rã que aparece no meio do nada.

O filme conta a história de um poeta vivido por Javier Barden e sua esposa. Os dois vivem isolados do mundo. Depois de uma grande obra de sucesso, o poeta não consegue criar algo novamente e por conta disso, resolve se isolar para tentar fazer algo tão bom quanto sua primeira obra. Só que de repente, o casal começa a receber algumas visitas estranhas e inesperadas e o filme começa a acontecer a partir dai.

A primeira vez que vi o trailer do filme, eu não sabia de nada. O trailer te vende algo um pouco assustador, meio macabro e completamente diferente do filme. Depois que fui pesquisar sobre o filme, descobri que era do Aronofsky, diretor de filmes como “O Cisne Negro”. Portanto, tudo o que estava na tela poderia ter um duplo significado e eu fiquei muito curioso pra ver o que me esperava.

Mãe é um filme claustrofóbico desde a sua primeira cena. A câmera está o tempo todo voltada para a Jennifer Lawrence. Nós acompanhamos o filme sempre da perspectiva dela e colados nela (com closes e câmeras subjetivas) . De fato o filme conta com inúmeros closes na atriz e nas suas expressões. A intenção do diretor é essa, fazer com que você preste bastante atenção nela.

O filme vai te instigar o tempo todo e fazer com que você confira a sua própria sanidade. “Será que a minha teoria está certa?” “Não é possível” “Eu não posso estar vendo isso”. Se você prestar bastante atenção no filme e em todos os seus detalhes, você vai sair do cinema completamente surtado, assim como este que vos fala. É uma loucura que vai acontecendo de uma forma gradativa. Você vai enlouquecendo junto com a personagem da Jennifer Lawrence e sai do filme completamente perturbado.

Mãe é uma obra de arte que não deixa ninguém frustrado. Não via um filme como este há muito tempo. Uma obra subjetiva, metafórica e que exige do espectador o seu máximo de atenção. Mãe não é um filme para qualquer um e talvez nem todos consigam enxergar o que está na tela. É preciso discutir e digerir muito o filme.

Mas com certeza, Mãe é uma das melhores obras do ano. Algo que te força a questionar muitas coisas e faz você sair do cinema com infinitas teorias

Um beijo e até a próxima.