“Calma amiga deixa eu ler a conversa. Cara, você que sabe. O que cê ta pensando em dizer? Mas amiga, você tá interessada? Peraí, ele te mandou isso assim, do nada? Mas qual era mesmo o contexto? Nossa, sei la, cara eu nunca gostei dele sabe? Ele só fala quando é conveniente. Ai, eu acho que cê tem que mandar a verdade pra ele logo na lata, chega de joguinho. Quando foi a última vez que cês saíram? E foi bom? Ah, lembrei já, aquele jazz no Nanam, né? Achei que vocês nem se falavam mais. Amiga, faz um doce, demora aí pra responder, tem que ter charminho se não eles perdem o interesse. Pera, esse carinha é qual mesmo?”

Manter uma relação com amigas mulheres tem inúmeros momentos saborosíssimos, e, um deles, pra mim, é esse. A gente se junta, um belo grupo de quatro ou cinco mulheres incríveis. “Moço, traz uma Original e cinco copos, por favor? Uma não, traz duas logo. Amiga me conta como estão as coisas com fulaninho, a gente nunca mais conversou sobre isso.” Ai uma interrompe a outra, todo mundo tentando se alinhar na tal da história juntando o pouquinho que cada uma sabe, até que ela vai e conta direitinho. “É isso gente, e hoje quando eu tava no metrô vindo pra cá ele me mandou isso. Nossa, e você? Ainda não respondi, o que vocês acham?”

A noite pode ficar só aí tá? Não porque lidar com macho é o foco da nossa vida, até porque, né: por favor. Mas é incrível como cada uma reage, a mensagem é lida e interpretada de mil formas diferentes e a partir disso surgem infinitas respostas. Seja seca, evasiva, “ele nem te merece amiga. Não cara, se você tá afim responde fofo, bota um emoji. Cara, só fala que tá por Botafogo, se ele quiser ele aprece. Não amiga! Aí vai vir um macho pra cá estragar a conversa? Marca outro dia poxa. Cara não marca nada ele nem é legal.”

E as outras questões vão surgir aí no meio também. A gente começa na mensagem lá do fulano e quando vai ver estamos nos queixando que o job está difícil demais de aguentar. Ou do novo filme do Malick que só duas assistiram e uma amou e a outra odiou. E até dos sonhos de ter o próprio apartamento e a tão sonhada independência financeira. Como?

“Amiga, eu acho que cê tem que deixar bem claro o que cê espera dele sabe, e isso vale pra tudo cara, outro dia lá na empresa eu tava conversando com a minha chefe, ótima ela, talvez você conheça, amiga, ela faz curso lá no Lage também. Aham! Muito fofa ela né? Acabou de montar um apartamento L I N D O, meu sonho. Sim! Todo arrumadinho, mas sem parecer casa de revista, sabe?” “Sério, amiga? Que máximo! Nossa, to louca pra sair de casa também, mas por enquanto tá difícil, a grana não da.” “Ah, eu vou ficar na casa dos meus pais um tempo, poxa mó qualidade de vida, e eles me querem lá ainda, então tranquilo.”

“Mas calma, amiga, você vai responder o que, afinal?”

Sabe a melhor parte? No fundo, isso não importa. Ela vai responder o que ela quiser, que vai ser diferente do que qualquer uma da mesa considera apropriado. E tem que ser assim mesmo, nenhuma de nós estava certa, não existe certo ou errado nessas coisas. A única certeza, pra mim, é que nenhuma saída com esse tal carinha vai superar uma noite de boteco com as minhas maravilhosas. É, amiga, faz o que você achar melhor, mas aqui, to com fome, cê fecha uma batata frita?