Essa semana brotaram no meu facebook vários eventos do gênero “precisamos parar o Rodrigo Hilbert” e eu não conseguia parar de rir. Homens revoltados com o fato da figura do Rodrigo representar um ideal de perfeição “inatingível” e estabelecer padrões “impossíveis” a serem esperados dos homens héteros. Rodrigo Hilbert tá fazendo a mulherada nivelar por cima. To escrevendo e respirando fundo, espero que você também, vamos lá:

Primeiro uma tentativa de resumir o que Rodrigo Hilbert é e o que é mostrado dele na mídia: É um pai presente, marido da musa Fernanda Lima, ele cozinha, tem um programa no GNT, é educado, disse que sempre ajudou em casa quando era pequeno e ajuda até hoje. Pratica yoga com a mulher e os filhos e é bonitão assim como a mulher. Ah, e ele faz crochê. Ou seja, ele não faz nada além da obrigação.

Tirando o crochê, que é um hobby, poderia ser tocar gaita ou jogar damas, e ser casado com a Fernanda Lima, meu pai é o Rodrigo Hilbert da minha família, cacete. Homens, vocês entendem que se sentem ameaçados por um homem que só é decente e bonitão? Isso só me leva a acreditar que vocês são ruins mesmo hein. Nessas horas a gente vê o quão frágil é a masculinidade, né, rapazes?

Só que assim, Fernanda Lima é tudo isso e mais até, tem um puta programa onde ela tenta quebrar estereótipos e fala sobre identidade de gênero e sexualidade na Globo, o que é uma façanha levando em conta o histórico conservador da emissora. Então porque cês só tão enchendo a bola do Rodrigo? E sabe de uma coisa, eu to cansada de ver Ferndandas Lima não casadas com Rodrigos Hilbert. Várias mulheres incríveis por aí saindo com carinhas mais ou menos, que não são inteligentes ou bonitos,  sem hobbies interessantes, oferecendo apenas uma companhia meia boca. Moças, vocês merecem receber de um parceiro tudo aquilo que vocês oferecem. Chega de nivelar por baixo porque “ta faltando homem”.

Outra coisinha básica, vamos supor que Rodrigo Hilbert fosse mesmo uma figura surreal, uma Beyoncé macho, seria o caso dos homens entenderem um pouquinho do que nós, mulheres, passamos todos os dias. Nós crescemos com esses estereótipos impossíveis.

A mulher tem que ser linda mas não de um jeito peculiar, o linda aqui é bem específico: magra com peito, bunda e coxas torneadas e a barriga sarada, branca, cabelo liso, nem muito alta nem muito baixa, feições simétricas. Sexy sem ser vulgar, inteligente, mas não mais que o homem porque né masculinidade aquele negócio frágil, gentil e simpática, mas recatada também. Ela deve cuidar do lar, cozinhar, criar bem os filhos, e se manter em forma e disposta sempre. Desejável, mas não exibida. Perceberam que metade desses conceitos se contradizem? Pois é.

Quantas mulheres que você conhece que acordam antes do sol, pegam três meios de transporte, passam o dia inteiro ralando no trabalho, chegam depois da lua, cheias de dor, e ainda cozinham pros filhos, ajudam no dever de casa, dão carinho e atenção? E se nos poucos minutos que lhe restam de lazer, ela liga a TV, estão lá todos lhe dizendo que ela não é boa o suficiente, porque não cabe em um manequim 36 ou não está com as unhas feitas.

Eu poderia ficar o dia inteiro e mil palavras mais falando sobre desigualdade de gênero. E talvez eu o faça algum outro dia, agora só digo: Homens, abaixem a bola. Se vocês fossem pais/maridos decentes, Rodrigo Hilbert nenhum iria ameaçar vocês. E mais, olha em volta, sai da bolha masculina e tenta ter empatia com as mulheres. A pontinha de insegurança que cês sentiram com o bonitão do Rodrigo a gente tenta não sentir todos os dias com quase todas as figuras femininas na mídia.