Se eu tivesse que te contar isso aqui tudo pessoalmente, estaria corada e tremendo. Não sei disfarçar nada, e nem tento mais. Se eu to apaixonada, vai dar pra ver no meu “olá”, e minha tristeza é profunda e dá pra sentir no olhar. Além de transparente, sou amor da cabeça aos pés. Sou virginiana, mas o ascendente eu vou ter que ficar te devendo. Pode me chamar de Ju, Julinha, Juju, sou apegada nisso não, mas adoro Asenjo.

Escrevo desde pequena e fiz jornalismo na faculdade. Até agora não decidi se foi uma boa ideia, mas vamos seguindo. Fiz curso de aquarela, pintura, xilogravura, desenho, colagem e por aí vai. E não parei ainda. Hoje trabalho em programação no Multishow, amanhã eu já não sei. O futuro me assusta um pouquinho, sempre tentei me prender às certezas da minha vida: meus amigos serão eternos, criatividade vem de noite e chocolate é sempre uma boa ideia. Mas futuro não tem muito isso né?

Ainda não me apaixonei do jeito que eu sempre sonhei por alguém, em compensação artes plásticas, música, cinema e literatura são meus maiores amores e cúmplices. Dedico a eles todo meu tempo. Coleciono vinis, defeitos, brincos, poemas não terminados e histórias de amores contrariados.

Sempre achei que não gostava de moda. Era um mix de preconceito com falta de identificação. As modelos me pareciam muito magras e todas parecidas, mas não comigo. Há uns anos, meio sem querer, eu percebi o quanto me importava com como eu me vestia e que moda era mais que passarela. Agora sou comprometida com a busca pela originalidade sem ignorar minha estética pessoal. E olha só, posso dizer hoje que me divirto com moda. Catar brechós pelo Rio é delicia demais! Pessoas com estilo próprio e moda não padronizada ganham meu interesse.  Ah, minha coleção de brincos baratinhos de bazar é invejável, modéstia à parte.

Junto disso tudo, gosto de sutilezas e cuidados. Sabe os pedaços de luz que ficam do sol, quando ele é filtrado pelas arvores? Ou vozes graves em pessoas delicadas, ou caminhar na areia da praia perto da onde o mar quebra. A comida do meu pai nos domingos.  Acredito que se a gente consegue enxergar beleza nesses detalhes, alguma coisa certa a gente tá fazendo, né non?

Sobre tudo isso e todos esses, eu tento escrever. Espero de coração que agrade. Um beijo grande, quero te ver por aqui de novo.

Beijos, Ju.