Emicida, hoje um dos maiores rappers do Brasil, já demonstrava toda sua multiculturalidade em seu primeiro disco. Porém na sua nova obra “sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa” Emicida traz consigo uma abordagem social muito mais forte e mantém seu foco na cultura africana e na luta negra contra o racismo. O álbum não se resuma apenas a essa temática, mas todo esse ideal e ativismo se personificam em uma música, seu nome é “Mandume“.

Mandume não é mais uma daquelas músicas convencionais, é o tipo de música que sempre te surpreende, está sempre mudando e sempre acrescentando coisas novas. Bom, o som começa no refrão e logo depois entra o primeiro verso, interpretado por uma mulher, Drik Barbosa. Ela é agressiva na rima e seu discurso fala sobre o empoderamento negro e feminino. Seu verso é muito impactante e, para mim, um dos melhores!

Apesar da intro pesada, fica difícil acreditar que a música, que tem 8 minutos, manterá o alto nível até o final, mas inacreditavelmente  ela mantém! O segundo verso é interpretado pelo Amiri e fala sobre a apropriação cultural e as heranças da cultura afro.

A faixa segue falando sobre escravidão, diferenças sociais, religião, sempre mantendo a ideia de exaltar a própria raça. Até que o ritmo da música muda completamente e surge um funk. Nesse momento fica claro que a música é muito mais do que uma denuncia as diferenças sociais. Ela abraça sem preconceitos qualquer expressão cultural do gueto.

O som do Emicida consegue gerar um momento reflexivo, esse momento traz pro ouvinte uma série de questionamentos, que são importantíssimos para se tornar um ser humano melhor. Para aqueles que muitas vezes não dão ouvidos ao que as outras pessoas tem a dizer, essa música é um livro informativo, principalmente para quem  não entende que o racismo realmente existe e que precisa de fato ser combatido.