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Devendra Banhart é um rebelde. Quando despontou há mais de 10 anos atrás com seus cabelos compridos, cheio de tatuagens pelo peito e uma aura que mesclava elementos da lírica folclórica tradicional com hinduísmo e o tropicalismo brasileiro, todos os olhos se arregalaram para entender quem era aquele jovem que deu uma roupagem cheia de loucuras para um gênero tão tradicional como o folk, consolidando o que viria a ser um movimento amplamente incorporado por figuras como Father John Misty, a banda Vetiver e Joanna Newsom.

Sendo um dos pais do freak-folk, é essencialmente impossível que Devendra perca seus elementos cheios de experimentações e que contam com harpas, cítaras e sintetizadores em suas músicas. Há um amadurecimento – seus cabelos estão cortados, as camisas de alfaiataria devidamente abotoadas e com um som universalmente mais acessível – sem que Banhart perca de vista suas características.

O nono álbum de sua carreira, Ape In Pink Marble tem um título que parece nome de pintura e que mistura a sonoridade do lo-fi, bossa nova e  tropicalismo – gêneros familiares para Devendra, que nasceu e morou até os 10 anos na Venezuela e que também tem em sua banda o excelente Rodrigo Amarante. Vocalmente, Banhart observa secretamente as pessoas ao seu redor, ora refletindo, ora com uma sagacidade que faz rir, afiando de forma suave todo o conjunto melódico.

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A semelhança com o anterior Mala (2013) deve vir sem nenhuma surpresa, especialmente por trabalhar com a mesma banda (o já citado Rodrigo Amarante e o músicos Noah Georgeson e Josiah Steinbrick), mas Ape é distintivamente melhor e mais suave. Há doses poéticas significativas, uma abundância de instrumentos como harpas japonesas, sintetizadores e teclados eletrônicos que deixam todo o percurso do álbum com ares espontâneos e que legitimam a mente criativa e cheia de sentimento de Devendra. Para cada pitada graciosa de Saturday Night (You’re the dream of love unspoken / You’re a flower that never opened / No excepction will be made, we all get our own serenade), há um refresco de humor, como nos versos de Fancy Man, onde canta sobre um aristocrata que se gaba por suas roupas e seus compromissos sociais.

Existe uma unidade e graciosidade tão naturais em todo o percurso do álbum que te deixa num mar de vapor todo etéreo e que não te deixa querer deixar de acompanhar esse tipo de vibração. É um daqueles grandes álbuns que te deixa feliz por poder estar vivo apesar de todas as melancolias do dia-a-dia, e que principalmente encanta por encontrar magia nas pequenas sutilezas que compõem toda a nossa sentimentalidade.

Ouçam e contem pra gente o que acharam! Até!