Os brechós viraram uma febre na década de 90, principalmente entre os jovens, porém perderam seu prestígio na virada do século.

Comecei a frequentar brechós em 2012 e, pra mim, foi como entrar em outra dimensão. Como era possível me vestir com tão pouco? E a minha maior alegria: as roupas SERVIAM! Acho que quem veste mais de 40 sabe o que eu estou falando: lembrar daquele momento tenebroso que é comprar roupa. Ir feliz procurando algo e sair triste porque nada serviu direito. Essa tristeza quase não aparece depois que comecei a me vestir com roupas usadas. Os motivos:

Dependendo do brechó é possível encontrar roupas com modelagens mais antigas e que se adequam a todos corpos, diferente de lojas de departamento;
O preço é justo e pessoas de baixa renda tem acesso;
É uma moda sustentável, pois as roupas usadas serão reutilizadas.

tumblr_inline_neurxgjE1c1ry3cvp

Em torno de 2014, vi o brechó se popularizar, mais uma vez. O short de cintura alta, as bomber jackets, lá estavam. Fiquei muito feliz, pois a tiazinha do estabelecimento que frequento aqui em Cuiabá começou a ter mais clientes e até passou a usar máquina de cartão. O que reparei é que a popularização foi tanta, que o real intuito de alguns brechós se perdeu. Vi vários se consolidarem, os preços subiram, vejo pessoas que tem dinheiro pra ir aos Estados Unidos comprarem peças e vender aqui a até 5x mais caro. Guardar um dinheiro pra ir procurar roupa pelos brechós do Brasil e vender a preços bem acima do convencional. São pessoas que tem conhecimento de moda, são pessoas que sabem produzir, são pessoas que fazem ensaios fotográficos pra vender roupa usada com preço de loja de departamento.

Moda sustentável pra quem? Pra quem tem e sempre teve dinheiro pra ter acesso a moda? E quem não tem? Sabe aquele ditado que boteco bom é aquele que tem o nome “zé bar lanches” e não aquele que tem na fachada “BOTECO”? Com brechó também é assim, se você (claro que isso não se encaixa nos brechós de luxo, que, inclusive, passo longe). Vamos ser mais honestos? Vamo! Vamos consumir com consciência? Vamo!