Oi, você.

Começarei me explicando. Acho muito difícil me apresentar para as pessoas e sempre sinto que os primeiros contatos são rasos demais para tirar qualquer conclusão completa. Dessa forma, eu prometo tentar me colocar do jeito mais eu que eu conseguir pra gente poder se conhecer melhor.

Prazer, me chamo Julia. Nasci num dia ensolarado no meio do inverno de 97. Minha mãe sempre diz que desde então não chove num dia vinte e dois de julho, como se eu tivesse trazido o sol. E isso refletiu na minha vida, sempre tentando levar uns pequenos raios de sol por onde passo. Sou totalmente encantada com a vida e acredito que tudo tem um motivo, que às vezes não sabemos, mas não é por isso que é menos importante. Eu gosto de dias de sol, de praia e piqueniques, de livros de sci-fi na cama num sábado à noite, de rir tanto até perder o fôlego e de ficar de chamego com todas as pessoas que eu amo (quando eu era pequena, minha mãe me chamava de chameguenta. Cha-me-guen-ta. Ora, mãe, que mal tem abraçar todo mundo?). Já passei pela transição capilar, rôo as unhas e prefiro doces a salgados. E prefiro o Rio de Janeiro à praticamente todos os outros lugares do mundo.

Minha diversão sempre foi escrever, desde muito pequena. Era uma criança quieta, filha única de pais cuidadosos, um pequeno bibelô. Fui adiantada na escola e escrevia com as duas mãos em todos os papéis que passavam por mim. Mais à frente, optei pela mão esquerda. Logo vieram os desenhos, que eu fazia como cartinhas para meus pais. Depois, as bombásticas constatações feitas em canetinha colorida: “hoje está sol!”, ou ainda, em tom jornalístico, escrito no dia onze de setembro, concluí que aquele era “um dia não muito bom”.

E muitos dias não muito bons ainda viriam a se suceder na minha caminhada. Dizem que os percalços nos tornam mais fortes e hoje, escrevendo deste lugar outro, que não o que estive, sinto que fui moldada por cada uma das minhas experiências. Cheguei à oitava série com a incrível idade de doze anos, e eu escapava ao padrão. Em todos os sentidos. Aos quinze, saí de casa para estudar para o vestibular e consegui, aos dezesseis, começar a cursar Psicologia na UFF, meu sonho #1, embora seguido bem de perto por Design e por Publicidade. Logo estava morando sozinha em outra cidade, sem pai ou mãe ou tias e primos. Eu, eu e eu.

Durante todo esse tempo, encontrei minhas saídas. Me encontrei em Jesus, e depois nos filmes e livros, principalmente nos suspenses e naqueles que evidenciam a complexidade da existência humana – considerando a solidão, a felicidade, as jornadas e as conquistas –, todos os universos que eu poderia visitar e fazer parte sem me desvencilhar totalmente de mim mesma. Pés no chão e cabeça nas nuvens. A arte me ensinou a me olhar com outros olhos – que eu podia, eu mesma, ser minha obra prima. Me escrever e me reconhecer em coisas, lugares, culturas. Fazer parte de algo que não tem nada a ver comigo e, ao mesmo tempo, é inteiramente meu.

A vida sempre nos dá oportunidades de nos reinventarmos e lidarmos com ela das nossas formas, através de todos os riscos e reviravoltas. Como se o chão precisasse se quebrar pra florzinha bem pequenina e frágil romper a terra e sentir a luz do sol nas suas pétalas. Florescer. Flore(cre)scer. Inventei essa palavra em algum momento na minha vida e ela sempre me parece adequada.

É assim que me sinto hoje, aqui, totalmente grata por poder fazer parte da equipe do Cariocando, um blog que eu amo e acompanho desde meados de 2014. Minha proposta não é trazer apenas recomendações boas, mas realmente colocar em questão em mim, e espero que em você também, o que a sétima arte consegue nos despertar em questão de beleza, de lembranças, de afetos que nos atravessam e nos marcam. A arte pode se revelar como muito mais que simples distração. E eu espero que a gente possa se acompanhar bem por aqui!

Com carinho,
Julia Almeida.