Não é de hoje que o paulista Eduardo Kobra cai no gosto mundial; seu talento veio emergindo desde 1987, na periferia de São Paulo. Em 2005 estourou com o projeto “Muros da Memória”. Queria retratar as memórias da sua cidade e transformar a paisagem urbana através da arte. A partir daí, já fez murais na Inglaterra, França, EUA, Rússia, Grécia, Itália, Suécia e Polônia.

Travel photography Ausable Chasm, New York USA

Desde o colégio, Kobra já se mostrava diferente. Seus livros e cadernos se tornavam grandes sketchbooks, desenhava ilustrações e tags em tudo que tinha. Cresceu e seu destino não poderia ser outro; muitas vezes chamado de vagabundo, ouvindo frases como “vai arrumar um emprego!”, nosso artista andava sempre com sua mochila cheia de canetas e jets, e continuava grafitando pela cidade e em tudo que pudesse. Foi perseguido e pego diversas vezes pela polícia, mas não desistiu de seu sonho: queria mostrar a todos que estavam errados quanto aos preconceitos com a arte de rua. Sua vida mudou realmente quando, em um de seus julgamentos por vandalismo, o juiz ficou tão impressionado com sua arte, que sua sentença foi fazer um mural na delegacia de polícia.

kobra2

kobra4Sua obra é extremamente realista, e se difere de qualquer outro artista pelo mosaico de cores que aplica aos retratos, como uma malha, criando uma identidade singular. Dentre inúmeros trabalhos, destacaram-se, no Brasil, o de Oscar Niemeyer, na Avenida Paulista; do grupo de rap Racionais, no metrô do Capão, em SP; e finalmente o nosso mais novo patrimônio cultural Carioca, “Todos Somos Um”, localizado na Praça Mauá, dentro do Boulevard Olímpico Rio 2016.

O maior grafite do mundo feito por um só artista foi presente do paulista para a cidade do Rio de Janeiro. “É um mural para falar sobre a união dos povos. Fala justamente da importância de deixar de lado as diferenças religiosas e as diferenças políticas; de evitar os conflitos, e de realmente buscar a união dos povos” declarou em entrevista à Agência Efe. “Este projeto é um seguimento de alguns murais que fiz por todo o mundo e que chamei de “Olhando a Paz”. São painéis que fiz com algumas personalidades que são importantes em relação à paz, como Malala, Martin Luther King e Nelson Mandela. Já fiz alguns na Europa e nos Estados Unidos.” Os rostos retratados no mural representam os cinco continentes: o primeiro deles é da etnia Mulsi, da Etiópia (África), seguido por um da tribo Karen, da Tailândia (Ásia), outro dos Tapajós, no Brasil (América), o quarto é dos Chukchis, da Sibéria (Europa), e o último da etnia Hulis, de Nova Guiné (Oceania). Kobra utilizou mais de 3 mil latas de spray, cerca de 100 galões de 18 litros de látex acrílico e 150 galões de 3,6 litros de esmalte sintético. Chegou a trabalhar até oito horas por dia sobre andaimes para concluir a obra.

Também em legado aos jogos, ainda retratou Tom Jobim e Vinícius de Moraes, dois dos principais nomes da Bossa Nova. O mural se localiza em Tóquio, sede das próximas Olimpíadas, em 2020.