No último final de semana fui visitar o Museu do Amanhã pela segunda vez, já que da primeira a fila quilométrica me impediu de entrar. Dessa vez fui preparada e comprei o ingresso pela internet, logo me poupei da sensação de tédio e desconforto que anda junto com qualquer fila.

Na minha experiência no museu, entre selfies e esbarrões, consegui escutar as seguintes frases ‘o filminho só tem 8 minutos, que bom’ disse uma senhora aliviada, ‘ali tem outro filminho, vamos’ e a família acompanhou a moça. A interatividade, nesse caso, e em muitos outros, foi a única saída para se conseguir captar a atenção de quem estava no museu. E nesse caso, fica claro que necessitamos de algo que nos responda, aponte caminhos e que principalmente, interprete por nós. É mais fácil consumir um conteúdo mastigado e pouco questionável do que algo mutável que requer conexão.

Particularmente, nas experiências em exposições, galerias e museus ou qualquer outro veiculo que se define como um lugar onde supostamente se encontra arte, sempre me pareceu mais interessante as diversas interpretações sobre uma mesma obra, por mais concreta que ela fosse. É pouco comum duas pessoas obterem a mesma opinião e sensação quando se trata de arte, e isso ocorre porque a obra permite ser interpretada de diferentes formas. O que aconteceu no meu domingo foi o oposto disso, foi a unanimidade de opiniões, porque não havia ali a menor possibilidade de múltiplas interpretações. Ora, quem vai discordar sobre a porcentagem anual de emissão de gás carbônico?

De fato, estamos vivendo num mundo cada vez mais rápido, onde a troca de informações acontece em segundos, logo com mais informações em menos tempo, a absorção delas tende a ser mais rasa. De acordo com essa lógica, para captar a atenção de alguém é necessário criar artifícios para tornar a informação mais inteligível e atrativa. E nisso, o museu acerta em cheio, para quem pretende visitar o mesmo, pode se preparar para pixels e mais pixels de cores fortes e imagens atrativas.

E a diversão é garantida, e não só para as crianças, o espaço se torna uma pequena versão da Disney, a família toda participa e, é claro, registra. Ao longo da experiência um guia comprova que ali tudo vale para a foto perfeita e conta um caso onde um pai incentivou o filho a subir em um apoio de uma peça do século XIX para que a foto ficasse melhor, resultado, a criança derrubou a obra e agora ela esta exposta com uma enorme rachadura no meio. A única obra que não era necessário tocar, ler ou ouvir, porque estava ali pelo seu valor histórico, provavelmente causou um desconforto nessa família. Afinal, porque justamente com essa obra tão simbólica seria necessário um comportamento diferente?

Além de tudo que está inserido no museu, outro ponto forte é a sua localização, que conta com uma vista privilegiada e que esse seria um fator decisivo no processo de criação de qualquer arquiteto. E lá estavam, muitas possibilidades de apreciação da tal vista, algumas vezes acompanhada de assentos para incentivar a contemplação, mas quem estava olhando para ela não era o olho humano, e sim, o virtual, afinal deve-se turbinar a selfie com uma vista tão bonita. E para tirar a selfie com a paisagem, curiosamente, é preciso dar as costas para a mesma.

Em outra sala do museu o guia comanda ‘pessoal, não parem , continuem andando’. E continuamos andando. Outra chance de contemplação perdida, porque tempo vale muito e o amanhã já está aí.