image

É difícil manter o coração aberto quando se escoa a lágrima da dor de se enganar. Simultaneamente que o tempo parece parar, o sentimento parece acelerar. Aceleram-se as pulsações e se afloram as emoções. É a angustiante sensação de estar à beira do abismo sem ter onde se segurar.

A traição é como um ácido que corroi a alma, trazendo a decepção como um par. Todo um ciclo vicioso e rotineiro parece mudar. Deixamos de acreditar e passamos a nos culpar. Achar que o problema está na gente e nas nossas ações. Questionar o porquê de ter sido com a gente. O porquê de ser logo com quem faz tudo por aquele(a) que ama, não entendendo o sentindo de existir a possibilidade de fazer este(a) mesmo sofrer. Incomodam as fortes batidas do coração, quando no meio de tantas perguntas não encontramos a devida razão. É se sentir cada vez mais aprisionado as nossas mais profundas frustrações diante do disparo de tanta ilusões.

Não vou enganar: a dor te consome por inteiro. De verdade. Doi você confiar e se amargurar. Doi você acreditar e tão de repente se machucar. É o avesso do que estava concretizado até então. É a força estremecendo e a dor transparecendo. Quando a recíproca não é verdadeira, o mundo parece realmente desabar.

É necessário que neste momento, onde a escuridão toma conta de qualquer rastro de luz, possamos acreditar que há uma fissura na qual devemos nos entregar: a nossa essência. Essência como a nossa identidade. Nosso traço, nosso aspecto, nosso orgulho. E quando digo orgulho, não me refiro ao orgulho egoísta que leva muitos à arrogância e soberba; e até mesmo ao fim das relações. Refiro-me ao orgulho que nos enaltece. Orgulho que nos traz satisfação com o próprio valor. O amor próprio.

Tenha certeza de que grandes traições nos levam a enormes aprendizados. Para toda a dor, há a sua cura, e para toda a cura, há uma grande aquisição. Eu, como grande idealizadora do “lado bom da vida”, acredito que até nas piores dores possamos tirar os maiores amores. Amores que se refletem em nossos conhecimentos e ensinamentos. É o amor de reconhecer que há algo muito maior reservado para nós – afinal, ninguém aqui merece um amor pela metade. É o amor de encontrar felicidade dentro das coisas mais simples da vida, como o próprio sorriso que contagia quem passa. Como o abraço de alguém que te faz sentir querido. A leveza do olhar de quem te admira por inteiro. É vivenciar uma experiência drástica e, a partir desta, criar novos laços que sejam capazes de estabelecer relações tão fortes quanto a superação de uma grande aflição. É acreditar na ideia de que vai estar do seu lado quem TEM QUE estar. O destino vai te encaminhar as pessoas certas, acredite. É se permitir a se aproximar de tudo aquilo que agrega, e não destroi. De tudo aquilo que revigora, e não corroi. Amor propriamente dito, por si, em primeiro lugar.

É sobre querer estar com quem quer realmente estar do nosso lado – porque a gente sabe que quem quer dá sim um jeito – respeitando a pessoa que somos e os laços que criamos. Respeitar nossas histórias e crenças. Nossas diferenças e vivências. Valores e princípios. É sobre se importar com quem se importa com a gente, honrando nosso espaço e nosso valor.

O amor fica muito raso quanto a atitude é rala.
O amor trata-se de mergulhos profundos.
Trata-se de aumentativos.
De imersão.

Sem maiores rodeios,
O amor sempre vai estar atrelado à imensidão.