Ao som de Bon Iver, decidi expressar toda aquela angústia que havia em meu peito.

Por muito tempo temi arriscar. Por muito tempo temi demonstrar que nos mais devastos anseios existia a grande vontade de expressar os maiores desejos. Desejos estes que se mostravam cada vez mais distantes da finitude das únicas possibilidades que imaginei existir.

Decidi me atrever.

Atrever-me ao ponto de segurar o mais firme possível nas mudanças que me fortalecessem. Acredito que para haver mudança, exista também a bravura da coragem, que se atrela a aspectos um tanto quanto pessoais, causando um tremendo intercepto nos passos adiante.

Ainda não consigo entender que, bem lá no fundo, são apenas minhas fragilidades e fortalezas que se difundem e rompem com toda a expectativa de minhas ambições. Deveria, eu, persistir na mudança para que não houvessem tamanhas interrogações que sombreassem tantas vontades que já vinham asfixiando o meu coração.

E assim fiz.

Fui atrás das minhas maiores inspirações guardadas até então. Juntei experiências e palavras que acercavam minha razão, buscando entre tênues intervalos a sensibilidade de possíveis olhares que emanassem imensidão. Pois a imensidão sempre fora contrária à finitude na qual vivia. E finitude significa limitação. Limitação esta que já não era mais uma opção no dicionário da vida que escolhi para seguir. O sentimento de liberdade agora deveria ser mais do que nunca viral.

Não discuto com o destino. Permito-me absorver do mesmo o que for necessário para seguir adiante. Pois embora o tangível nunca pudesse ter sido abstrato, era na solidão deste naufrágio do irreal que buscava a minha inspiração. Fui atrás dos meus sonhos e agarrei todas as oportunidades que foram dadas. Prossegui na constante busca pela felicidade nessa overdose que criei pela mudança. Mudar é bom, sabe? Mudar te floresce. Mudar rejuvenesce. Mudar te amadurece. Mudar tem seu lado bom – e como tem. Parem de achar que mudar é tortura, que é errado. O que é errado pra você, pode ser certo pro outro. Mudar é correr atrás do que te faz sentir conectado com o mundo. É o que te faz crescer. É a junção da leveza e satisfação. É elevar sua alma expulsando qualquer tragédia que possa estar no sangue. É ser responsável por cultivar ao seu redor o desejo de amar. Recriar-se constantemente. Sempre. Eu sei, é viciante mudar quando pensamos assim. Porém, tenha a certeza de que quando você se achar, tudo se encaixará.

Ou
Não.

Afinal, somos uma constante mudança em plano físico na terra, que agora pode estar pleno, mas daqui a dez minutos não estar. Acontece. O importante é não se culpar. É sobre se permitir. Pois mudar é viver. Viver é mudar.