Prazer, meu nome é Priscila Brinati, mas fiquem à vontade para me chamar de Pri – foi assim que sempre gostei que me chamassem. Talvez por amar relações. Amar como a proximidade traz a intimidade, como a intimidade traz a confiança, e como a confiança traz novas amizades. Escritora nas horas vagas e amante de fotografia, cinema e música. Gosto de sorrisos. Gosto de sorrir e gosto de fazer sorrir. Gosto não. Sou apaixonada. Trago a vocês um pouquinho dos meus vinte e dois anos de constantes mudanças e aprendizados, com o objetivo de cada vez mais tocar o coração de cada um que passe por aqui.

Sempre fui uma menina de sentimentos intensos. Sentimentos que sempre me levaram muito longe, pois a veemência dos mesmos fizeram me tornar a mulher que sou hoje: decidida, determinada, confiante, sincera e convicta de meus princípios e valores. Acredito que todos somos dotados de essências únicas, que se renovam e se recriam incessantemente, deixando nossa identidade se propagar por cada canto que tivermos oportunidade de vivenciar.

Sempre fui estimulada à descobertas. Filha única de um engenheiro elétrico e uma ex-professora (atualmente dona de casa) sempre fui o equilíbrio entre a razão e o sentimento entre ambos. Ele, área de exatas. Ela, área de humanas. E eu, a eterna dúvida de qual caminho seguir. Começando aos dezessete anos a estudar em um curso, como o de Gestão Pública na UFRJ, onde o objetivo final seria a aprovação em um bom concurso público (um tanto de influência do meu pai), demorei a aceitar que ali não era o meu lugar. Precisava me expressar através da arte em algum curso que me fizesse sentir um tanto quando identificada pelos meus pensamentos e ideologias. Não que eu não tenha feito grandes conquistas na UFRJ, muito pelo contrário. Vale frisar que a UFRJ fora de extrema importância para me tornar o ser mais politizado e humano que sou. E é por isso que costumo dizer que mesmo das experiências mais atordoadas sempre conseguimos de alguma maneira tirar o lado bom daquilo.

Desde os três anos de idade fui inserida no meio esportivo – o que é e sempre será a minha grande paixão. Meu pai, botafoguense fanático e devoto ao seu clube de coração, já me levava desde pequena ao Maracanã. O resultado não fora nada mais nada menos do que estar sempre ao lado do mesmo o acompanhando em diversos jogos – o que levou a minha grande paixão pela estrela solitária. Sem muito manha para o futebol, acabei sendo matriculada na natação, e cada vez mais era estimulada a competir, e é claro: almejar sempre o primeiro lugar. Do outro lado, ela. Mulher cheia de virtudes e espírito artístico – minha mãe. Na primeira oportunidade que a mesma obteve também me matriculou em uma atividade extracurricular, e obviamente seria ligada à arte: o ballet. Infelizmente, o resultado não fora o mesmo que o do esporte. Acho que eu era um tanto quanto “moleca” desde novinha e sempre preferi brincar das coisas que a sociedade cisma em chamar de “jogos de menino”. Jogar bola, brincar de guerra de chinelo, polícia e ladrão, ficar com o pé imundo de tanto correr descalça e sentar de perna aberta sempre foram a minha marca quando novinha. Certamente eu trocaria uma bonita casa da Barbie por um belo skate – o que acontecera em meados de 2004. Prossigo contando mais um pouquinho sobre o esporte, e logo logo vocês entenderão o porquê desta insistência.

Aos doze anos de idade descobri que a minha grande paixão era o vôlei. Não me lembro ao certo como começou este sentimento, só sei que na segunda semana de escolinha já estava na equipe para competir e isso me deixava com mais vontade ainda de estar ali. Isto porque meu pai – mais uma vez – insistia em dizer que parada não podia ficar. Que além dos cursos que eu já fazia deveria também ter um esporte na minha vida, e que se não fosse a natação, então que eu escolhesse algum outro que me fizesse sentir desafiada. O negócio começou a ficar sério quando decidi realmente me dedicar aquilo.

09/07/2008: aos 14 anos de idade me via dentro de um avião indo para outro Estado jogar, sem a presença de meus pais. Antes mesmo já havia realizado outras viagens sem os mesmos, porém me lembro como se fosse ontem a maturidade que em tão pouco tempo tive de criar. Era dar um passo adiante sem ter ao lado as duas pessoas que mais me protegeram a vida toda. Era assumir um comprometimento com meu time quanto aos horários e treinos. Era ter perseverança e ao mesmo tempo bravura. Era ter garra e mostrar que estava ali para vencer. Era sim competir, mas também saber perder. Era ter compaixão e ao mesmo tempo coragem de seguir. Seguir adiante se não desse certo, sempre dando o melhor de mim. Quando a derrota tomasse conta, era cabeça erguida que deveria ter. Buscar meu erros. Consertá-los. Procurar sempre dar o melhor de mim. Ter a ciência de que nada acontece por acaso, e tudo é um aprendizado. E de que certamente viria algo muito maior para nós.

Veja bem, falar disso realmente me enche os olhos d’água. Percebam o quanto o esporte me ensinou coisas maravilhosas que levo para diversos âmbitos da minha vida. Desde novinha fui instigada ao espírito de liderança, à competição, à motivação e a vontade de querer vencer. Tornei-me uma menina determinada, convicta de seus objetivos e sempre persistente, pois desistir nunca fora uma opção para mim. Hoje, vejo o quanto podemos crescer com cada fase que vivemos em nossas vidas. Lembro-me que a partir do determinado momento que tive que optar pela minha carreira profissional e deixar de lado um pouco o esporte, ao invés de ficar triste, eu pensei: “por que não trazer o esporte para minha carreira então?”. Eu, que sempre fui dominada pelas imensidões dos momentos que vivia, acreditei que todos esses aprendizados poderiam ser transferidos para todas as relações que eu pudesse ter, sejam estas pessoais ou impessoais.

Sendo assim, afirmo para vocês que o maior aprendizado desses vinte e dois anos é: faça algo que te faça sentir VIVO. Isso mesmo. Algo que te dê motivações, que te inspire. Sou extremamente realizada por hoje cursar Publicidade e Propaganda na ESPM. Posso enumerar diversos motivos para tamanha felicidade, mas prefiro me abster ao simples fato de ter me encontrado naquele singelo prédio da Rua do Rosário, localizado no Centro do Rio de Janeiro, por ter conhecido pessoas com tanta sensibilidade (coisas de Cancerianos) em um momento extremamente delicado da minha vida. Por ter encontrado um espaço onde eu possa expressar minhas maiores vontades e os meus maiores desejos. Ser quem exatamente o que eu quero ser. E, de quebra, como se não me bastasse o presente de estar na ESPM, eu e o Blog Cariocando nos encontramos. Eu realmente só tenho a agradecer. Mais uma vez o destino insistindo em me mover para trilhas onde eu possa mostrar um pouquinho do que eu sou e do que quero levar. É sobre desvendar este eterna enigma que a vida nos dá sobre decisões e sonhos. E é acerca disso que iremos falar nesta coluna. Sobre sonhos. Inspirações. Tendências. Vivências. Desafios. Liberdade. Amores. Aventuras. E o que for necessário para nos identificarmos com tudo aquilo que transborda entre a razão e a emoção. Afinal, foi assim que aprendi a viver, e não apenas sobreviver. Vamos botar para fora nossos sentimentos. Sentir é viver. Nada mais libertador do que poder mostrar ao mundo um pouco da tal essência que falamos lá no início, não é mesmo?!

Com muito amor,
Priscila Brinati.