Sim, a viagem nem acabou e eu já estou saudosa. Ainda faltam duas semanas e eu posso dizer que vivi muita coisa. Primeiramente, esse sempre foi o meu sonho, não o maior deles, mas um dos. Senta aí que lá vem história!

Eu tenho uma ligação de outro mundo com essa cidade, e tive mais certeza disso quando pisei aqui. Nova York é uma cidade onde as pessoas não ligam pra julgamentos alheios, e isso é muito interessante de observar. Eu ando na rua olhando pra cada uma das pessoas que cruzam o meu caminho, olho da cabeça aos pés, e todo mundo tem o seu próprio estilo. Uns basicões, outros mais extravagantes, mas cada um chama atenção de forma singular. Por que eu to falando disso? Porque isso é uma das coisas que eu mais odeio no Brasil, as pessoas apontam o dedo pra falar de tudo. Nossa, seu estilo não é nem um pouco feminino. Nossa, você só usa tênis. Como você consegue usar batom azul? E aqui as pessoas conseguem ver algo bom no que chamamos de fora do padrão.

Sim, uso batom azul, verde, cinza, preto, roxo, nude, rosa, laranja e vermelho. Amo batom e acho que eu combino com todos eles, e pelo menos pra mim, não existe essa de batom pro dia ou pra noite, toda hora é hora de usar. Aqui eu me sinto muito mais confortável em lançar uma maquiagem divertida e uma roupa estranha (como os meus amigos falam), e todos os dias me param na rua pra elogiar (é sério, eu nunca dei tanta dica de batom na vida).

Nova York é assim, a vida de cada um é tão corrida que ninguém perde o tempo falando da vida do outro, pelo menos foi isso que eu observei. E como boa observadora, eu vi que aqui ninguém tem medo de ser, eles simplesmente são. Vocês ainda não devem ter entendido aonde eu quero chegar, pois bem, eu quero chegar nas consequências que essa cidade me trouxe. Eu sou uma nova pessoa. Sim, tenho certeza que quando pisar no Brasil vou escutar isso de muita gente “nossa, como você mudou” e etc. Mudei. Sou uma pessoa mais madura, sou uma mulher mais confiante, sou uma nova Janaína. Muito mais bonita e determinada, sem deixar de ser sonhadora.

Costumo dizer que Nova York me puxou pela orelha, me deu um esporro daqueles, me empurrou e me fez voar. E aquariana do jeito que eu sou, não cogitei pousar sem antes aprender, me restruturar, amadurecer e, por fim, me reencontrar. Me reencontrei e vi nessa minha experiência uma boa oportunidade pra dizer a cada um de vocês que às vezes é preciso cuidar de si mesmo, mesmo que soe um pouco egoísta. Vivemos tão apressados, com um medo absurdo de trancar a faculdade por 6 meses, porque isso vai atrasar a sua vida, que às vezes esquecemos que toda e qualquer experiência vai agregar alguma coisa. Esquecemos que o que a sociedade manda (estudar, se formar, namorar, casar e ter filhos), nem sempre é o que vai te fazer feliz, e se for te fazer feliz, talvez não seja nessa ordem, nem com essa pressa.

Meu pedido é para que todos vocês vivam e aproveitem todas as oportunidades. Se não for em outro país, que seja na sua cidade, no seu bairro, ache na sua rotina uma coisa que você nunca tinha reparado e que sempre deixou passar pela correria do dia-a-dia. Seja! Viva! E não se preocupem com o que vão dizer depois, uma hora eles vão entender, e se não entenderem, que pena. Cuide de você, reserve um dia para se dedicar aos seus sonhos e vontades, e siga feliz.