Você já encrencou com alguma garota porque ela era uma ex peguete de um casinho seu? Você já pegou uma implicância absurda com uma amiga do seu namorado sem nenhum motivo realmente concreto? Você já sentiu ciúmes de alguma ex do seu namorado só pelo fato dela ser, bem, ex do seu namorado? Se você respondeu sim para pelo menos uma dessas perguntas, então você, assim como toda mulher nesse planeta, caiu no conto da competição feminina.

Uma coisa a ser pensada sobre a competição feminina é que: ela gira em torno dos homens. Quando você cria uma rivalidade com uma ex ou com uma amiga do seu namorado, qual a lógica que você segue? Obviamente essa menina é uma vagabunda que vai dar em cima do seu companheiro sem nem pensar duas vezes, né? Então o que você faz? Você cria uma rivalidade com ela, na sua cabeça existe uma competição muito clara: você versus ela.

Desde pequenas somos ensinadas a competir com outras mulheres pela atenção dos homens, enquanto desde pequenos os homens são ensinados a colocarem a amizade em primeiro lugar. Todo mundo conhece a expressão “bros before hoes”, né? Qual é o equivalente dessa frase para as mulheres? Não existe! E isso é uma pulga atrás da minha orelha.

Eu perdi a conta de quantas vezes eu já falei que preferia ter amigos homens porque não dá pra confiar em mulher, e isso é muito triste! É uma concepção terrível essa que temos umas das outras e faz muito sentido para uma sociedade machista perpetuar essa concepção, não é mesmo? Afinal, isso mantém as mulheres afastadas, desunidas, enquanto os homens continuam ali, juntinhos, companheiros, amigos.

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Parece teoria da conspiração, mas é a mais pura verdade. Quando as mulheres se juntam, elas têm uma força incrível, uma força inigualável (eu vejo essa força diariamente nos coletivos feministas dos quais eu participo), mas esses pré-conceitos impostos na nossa socialização são as ferramentas que o patriarcado dispõe para nos manter não apenas desunidas, como também umas contra as outras.

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Veja bem, o lance com a competição feminina é o seguinte: meninas e mulheres são encorajadas a competirem entre si pela atenção masculina, porém são desencorajadas a serem competitivas em outros âmbitos sociais como, por exemplo, na carreira profissional. Mulheres que são competitivas e ambiciosas profissionalmente geralmente são consideradas duras demais ou insensíveis. Enquanto isso, homens nessa mesma posição são vistos como dedicados e exímios trabalhadores. Competição saudável e auto confiança são fatores ensinados e encorajados aos homens desde criança, enquanto mulheres aprendem o extremo contrário.

Mulheres que estão ocupadas competindo entre si não desafiam o status quo, apenas o fortalecem. Mulheres que estão ocupadas competindo entre si não escutam umas às outras, não compartilham experiências, logo não conseguem perceber um padrão de misoginia e machismo presente na sociedade. Uma mulher que compete com a ex do seu namorado não vai ficar sabendo nunca dos comportamentos abusivos dele, pois não vai ter interesse de dividir suas experiências com a sua “rival”. E se ela falar alguma coisa, obviamente estará mentindo, pois é isso que ela é de acordo com o seu namorado, uma maluca mentirosa.

Entendem como a competição feminina é perigosa? Ela nos afasta, ela cria rivalidades sem motivos, ela nos impede de trocar experiências e de confiar em pessoas que passam pelas mesmas situações abusivas e opressivas pelas quais passamos todos os dias. A competição feminina transforma em rivais as nossas maiores aliadas. Vamos abrir os olhos e nos policiar, vamos aprender a ouvir, aprender a conversar e aprender a nos unir, cada vez mais, contra os nossos verdadeiros inimigos.

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