Oi, povinho!

Então, eu venho querendo fazer um post sobre esse filme tem um tempinho já (queria que ele tivesse saído dia 2 de abril – Dia Mundial de Conscientização do Autismo), mas não deu certo e, enfim, cá estamos nós! Resolvi fazer um pouco diferente e convidei um amigo meu pra falar desse filme pra mim. Espero que gostem!

Antes de tudo, deixa eu só adiantar uma coisa: o bom de Adam é que não é mais um daqueles filmes que só querem passar uma mensagem legal sobre Autismo ou qualquer coisa do tipo. É simplesmente um filme onde o personagem principal tem uma vida como qualquer outro, mas, nesse caso, ele é especial – quase um anjo. Vale muito a pena!

Com o prazer da palavra, Felipe. Fui convidado pela Thereza para partilhar com vocês um pouco a emoção que tive ao assistir ao filme Adam, que se trata de uma temática bastante presente na minha realidade: a convivência diária com uma pessoa portadora da Síndrome de Aspeger (gente, pronuncia aspeguerrr, com sotaque italiano mesmo hahaha).

Antes, deixem eu me apresentar. Costumo dizer que sou aspirante a designer, libriano oficial, pesquisador acadêmico e admirador da cultura nordestina (dessas minhas terras alagadas que aqui resido). Amante das histórias das artes, séries e filmes, e, é claro, irmão do Fabinho.

Bom, no dia 2 de abril foi comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e este foi o motivo que objetivou a Thê a me convidar para escrever sobre Adam. O filme foi uma produção da Fox, dirigido por Max Meyer, que relatava a vida de Adam (Hugh Dancy), um jovem portador da Síndrome de Aspeger (SA). A partir do momento que seu pai morre e este se vê ‘sozinho’ (a não ser pela ajuda do melhor amigo do seu pai) no mundo. O rapaz precisa encarar esta situação enfrentando, acima de tudo, suas limitações.

Para quem não sabe, a SA é uma das síndromes do espectro autista caracterizada principalmente por: dificuldade na interação social e na comunicação verbal, além de padrões de comportamentos bem específicos e interesses bastante direcionados. No entanto, vale ressaltar que estas características e seus níveis (entendam níveis como ‘quão presente tal característica está em um indivíduo, que não está no outro’) variam.

A minha ligação com o filme se dá por conta do meu irmão, meu Fabinho. Ele tem 11 anos de idade, foi diagnosticado aos 4 e desde de então já foi acompanhado por uma série de profissionais de diversas áreas, o que proporcionou o desenvolvimento dele. Hoje, Fábio estuda numa escola comum, acompanhando as crianças da idade dele e tem enfrentado diariamente as barreiras da interação social.

O filme inicia mostrando a vida do portador de SA, enfatizando bem a necessidade de seguir rotina e, consequentemente, os comportamentos repetitivos. Tal dia, tal hora, é o dia de por as roupas para lavar; só pode comer tal tipo de pizza, condicionadas de tal maneira no freezer; o café tem que ser feito de forma metódica seguindo tais passos. Coisas do tipo, sabe?

Assim como também aborda a fixação por conhecimentos específicos. Adam é apaixonado por astronomia e, assim como meu irmão, tem certos momentos que, no meio de uma conversa, ele começa a utilizar termos técnicos e bastante específicos do assunto que lhe é interessante. Esse tipo de comportamento os tornam excessivamente bons em assuntos específicos. Outro ponto é a compreensão de frases a o pé da letra. Se você lhes disser que está chovendo canivete, eles nem vão ousar sair de casa. Eles pensam de forma óbvia, e são bastante sinceros em suas opiniões (algumas são desagradáveis).

A cereja do bolo está quando Adam começa a conhecer sua vizinha e, vagarosamente, desenvolver uma certa feição por ela. Porém, comumente, os portadores de SA possuem uma dificuldade imensa de demonstrar os seus sentimentos e de reconhecer os sentimentos do outro (no caso do meu irmão, essa dificuldade já foi superada com ajuda profissional). Os melhores momentos da trama ocorrem exatamente diante dos conflitos, onde você nunca sabe a reação do rapaz autista. (São bem divertidos e curiosos!)

Não vou ficar de blá blá blá contando a história do filme pra que vocês possam ver. Só queria elogiar a atuação do protagonista. Características físicas como não olhar nos olhos enquanto o outro fala ou até mesmo o que os especialistas chamam de ‘hand flaping’ (que no popular é mexer muito as mãos em situações de tenções) estão presentes na interpretação dele. Bem como os conflitos emocionais. A trama, construída sem lágrimas de apelo ao melodrama, é construída com bastante sinceridade e uma rica e convincente atuação.  Da vontade de você querer saber logo seu desfecho.

Histórias do tipo são de extrema importância porque contribuem pra que as pessoas entendam mais um pouco sobre esse assunto que é de comum ignorância social, poucas pessoas sabem sobre e muitas julgam. O filme, assim como a convivência com eles, ensina que só precisamos compreender que, mesmo diante de suas limitações, e respeitar o modo de viver do próximo.

É isso, não é uma fofura só, gente? Adam e Fabinho, só amor por vocês!

Beijocas, people, see ya!