Hoje é segunda, dia sete de março, tarde da noite e eu tô numa batalha intensa com a minha cabeça pra conseguir colocar tudo que tô pensando aqui nesse post. Acreditem: faz uma semana que essa pauta tá na minha cabeça, mas não tô sabendo administrar o turbilhão de diferentes sentimentos quando penso em “feliz dia internacional da mulher”.

Respeito todo o background histórico que essa frase carrega, mas será que todo mundo, inclusive as pessoas que amam falar “feliz isso” e “feliz aquilo”, sabem o que significa ser mulher? Será que entendem tudo que tantas outras mulheres tiveram que passar pra que nós tivéssemos 10% dos direitos que temos hoje?

Como ter ânimo pra lutar por tantos outros direitos quando ainda hoje é tão difícil receber o que deveria vir de graça? Como vislumbrar algo bom na sociedade quando não conseguimos ser respeitadas? Falo sobre respeito em casa, na sala de aula, nos hospitais e transporte público também. Falo sobre RESPEITO em qualquer situação.

Tudo que conquistamos até hoje foi muito importante pra trilharmos um caminho que, apesar de estreito e cheio de obstáculos, nos levará a um futuro muito mais promissor, mas não podemos nos esquecer que ainda há muita luta pela frente. Mulheres morrem diariamente em clínicas de aborto clandestino, mulheres ainda recebem menores salários (exercendo a mesma função que um homem e tendo a mesma formação acadêmica), mulheres são assediadas todos os dias e infelizmente não podem contar com a Delegacia da Mulher e toda sua ineficácia. Nossa batalha está longe de ter fim.
Volto a falar sobre como acho estranho receber “parabéns, mulher!” todo dia oito de março. Parabéns pelo que? Felicidades pelo que? Sou mulher e não estou nada feliz com a violência obstétrica, com a maternidade compulsória, com o feminicídio. Também não estou nada feliz com a criminalização do aborto e essa misoginia tão internalizada nas raízes da socidade. Não estou feliz e nem me sinto parabenizada por nenhum desses motivos.

Preciso dizer que existo, resisto e faço o que posso pra ajudar amigas, conpanheiras, irmãs. Preciso dizer como sou feliz por saber que posso contar com mulheres que, como eu, tentam fazer a diferença no mundo. Sinto um enorme prazer e felicidade em dizer que tenho amigas sensacionais que trabalham muito duro pra serem reconhecidas e SIM, elas merecem toda a glória, todo o reconhecimento e todos os aplausos do mundo. Sou mulher e sou feliz por existir todos dias, não somente um dia por ano.